Um ano de JBS: como estão hoje os principais personagens da delação
Revelações da colaboração premiada resultaram em prisões, divórcio e na primeira denúncia contra um presidente no exercício do mandato
17/05/2018 05:30, atualizado 17/05/2018 11:48

Embora os acordos de colaboração de executivos da Odebrecht tenham sido esperados como “a delação do fim do mundo”, foram as revelações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, que estremeceram a República. Ao todo, os depoimentos relatam repasses indevidos a 1.829 candidatos eleitos de 28 partidos. Alguns deles, contudo, foram mais expostos durante o último ano aos efeitos jurídicos – e políticos – do escândalo.
As informações do acordo firmado entre os executivos da JBS e o Ministério Público Federal (MPF) foram reveladas em 17 de maio do ano passado pelo colunista Lauro Jardim. Entre elas, a conversa gravada entre Joesley e Michel Temer (MDB) nos porões do Palácio do Jaburu, na qual o político afirma: “tem de manter isso aí”, em uma possível referência ao silêncio do ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ).
A repercussão foi tamanha que o presidente teve de vir a público, no mesmo dia, para afirmar: não renunciaria ao cargo (vídeo abaixo).

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Ver todasAmbas tiveram tramitação suspensa após votação na Câmara dos Deputados. A blindagem de Temer pelo Congresso, contudo, custou todo o capital político do presidente, que se submeteu à liberação de emendas parlamentares, distribuição de cargos e aprovação de medidas polêmicas. Em contrapartida, não teve sucesso em aprovar algumas das principais pautas de sua gestão, como a reforma da Previdência.
Flagrado correndo com uma mala recheada de R$ 500 mil pelas ruas de São Paulo (vídeo abaixo), o ex-assessor especial de Temer e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR) chegou a ser preso um mês depois das delações. Solto em junho, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ele vive hoje em Brasília, mas fora da vida pública e monitorado por uma tornozeleira eletrônica.
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) também sentiu na pele o “efeito JBS”. Após ver sua irmã e braço direito, Andrea Neves, permanecer detida por 34 dias, o tucano foi afastado do mandato parlamentar pelo STF – medida depois revogada pelo Senado. Hoje, o político, que quase chegou à Presidência da República, é réu em uma ação penal no Supremo e pode não concorrer a cargo eletivo em 2018.
Em setembro de 2017, os acordos de colaboração – bem como as vantagens concedidas aos delatores – começaram a ser questionados, após o vazamento de uma conversa entre Joesley Batista e o executivo da JBS Ricardo Saud. No áudio, os dois revelam informações omitidas de seus depoimentos ao Ministério Público Federal, o que provocou a rescisão, pela Procuradoria-Geral da República, dos benefícios aos empresários.
As informações fornecidas pelos irmãos Joesley e Wesley, contudo, continuam a ser utilizadas em investigações na Justiça brasileira. Um ano após a delação da JBS, seus efeitos políticos estão longe de chegar ao fim.
Veja, abaixo, o que aconteceu com os principais personagens desse caso:
