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Brasil

Trump, Maduro e Milei: veja os líderes com os quais Lula teve embates

Petista protagonizou ruídos e rompimentos com ao menos seis líderes internacionais ao longo deste terceiro mandato

29/07/2026 04:30
Carla Sena/Arte Metrópoles
Lula, Trump, Milei, Maduro, Zelensky, Netanyahu, Ortega

Considerado um presidente de perfil diplomático e antenado ao mundo exterior, as relações internacionais sempre foram uma prioridade dos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e neste mandato não foi diferente. O petista já se reuniu com mais de 30 líderes nos últimos três anos e, nesse percurso, entrou em atrito com ao menos seis deles.

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Um dos principais embates do petista foi protagonizado por Donald Trump. Além da ausência de uma afinidade ideológica, Lula é um crítico da política adotada pelo republicano e chegou a manifestar, durante a campanha eleitoral norte-americana, apoio a Joe Biden, adversário de Trump na política eleitoral.

A política tarifária de Donald Trump e a imposição de taxas contra produtos brasileiros se tornaram o principal foco de tensão na relação entre os dois líderes. A medida provocou duras críticas de Lula, que passou a condenar publicamente a postura do presidente norte-americano e a fazer referências indiretas ao tema em discursos durante fóruns internacionais.

Os Estados Unidos ocupam o posto de segundo maior parceiro comercial do Brasil, mas a relação bilateral atravessa um período de crescentes tensões diplomáticas, marcado por divergências em temas políticos, comerciais e geopolíticos. O mal estar, contudo, não é exclusivo de Donald Trump, Lula já enfrentou atritos com ao menos outros cinco líderes internacionais neste mandato.

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Lula e os atritos internacionais

  • Com foco nas relações internacionais, Lula fez dezenas de viagens ao longo deste terceiro mandato e se reuniu com mais de 30 líderes internacionais, seja em visitas de estado, recepções oficiais em Brasília ou encontros em órgãos multilaterais.
  • Conhecido como um líder diplomático, Lula prega o bom relacionamento com todos os países, sem distinção ideológica.
  • Apesar da crença que prega, o petista não está imune a atritos ou desentendimentos com líderes internacionais — sobretudo aqueles que compõem uma vertente ideológica das deles.
  • Apenas neste terceiro mandato, Lula protagonizou ruídos com seis líderes internacionais, sendo três em espectro político mais à direita (Javier Milei, Donald Trump, Benjamin Netanyahu), dois aliados de esquerda (Nicolás Maduro e Daniel Ortega) e Volodymyr Zelensky, que se identifica como um líder de centro.

Atritos com Javier Milei

O mais recente desgaste tornado público foi com o presidente da Argentina, Javier Milei. Nesta semana, o Itamaraty formalizou a crise diplomática ao convocar o embaixador argentino em Brasília e chamar para consultas o representante brasileiro em Buenos Aires, após declarações de Milei com ataques ao governo brasileiro, ao STF e ao presidente Lula.

O episódio aprofunda uma relação que já nasceu conturbada. Desde a campanha presidencial argentina, os dois líderes trocaram críticas públicas e divergiram em temas políticos e ideológicos, fazendo com que a convivência entre Brasília e Buenos Aires fosse marcada por episódios recorrentes de tensão, apesar da importância estratégica da parceria entre os dois países.

Embora membros do governo e da diplomacia brasileira neguem que os embates entre os presidentes afetem a relação política ou comercial entre os dois países, a tensão diplomática entre Brasil e Argentina é evidente.

Rompimento com Maduro

O rompimento de Lula com o ditador venezuelano Nicolás Maduro também ganhou destaque na agenda internacional do petista neste mandato. O brasileiro retornou ao Palácio do Planalto em 2023 com um discurso de reinserção da Venezuela no cenário internacional e retomou a relação diplomática com o país, que havia sido rompida na gestão de Jair Bolsonaro (PL).

Lula chegou a receber Maduro em uma visita de Estado em Brasília em saiu em defesa do autocrata em mais de uma oportunidade. A harmonia na relação, contudo, foi colocada em xeque após o processo eleitoral em Caracas. O Brasil, que chegou a atuar para viabilizar eleições transparentes e democráticas no país caribenho, recuou da atuação depois da comprovação de fraude no pleito venezuelano.

Maduro foi acusado pela oposição de manipular as eleições para se manter no poder e se recusou a comprovar a lisura das eleições no país. Sem uma comprovação, o governo brasileiro se recusou a reconhecer Nicolás Maduro como presidente eleito no país oficialmente, o que gerou uma crise na relação bilateral.

O rompante gerou críticas de Maduro direcionadas a Lula, que levou a um afastamento entre os dois líderes.

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Daniel Ortega e presidente Lula
Presidente Javier Milei e Lula durante G20 no Rio de Janeiro
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Lula e Maduro
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Lula e Maduro

Ricardo Stuckert/PR
Daniel Ortega e presidente Lula
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Daniel Ortega e presidente Lula

Roosewelt Pinheiro/ABr
Presidente Javier Milei e Lula durante G20 no Rio de Janeiro
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Presidente Javier Milei e Lula durante G20 no Rio de Janeiro

Reprodução
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
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Lula e Trump em encontro na Casa Branca

Reprodução/ Ricardo Stuckert/ PR

Crise com Zelensky

Os primeiros anos do terceiro mandato de Lula foram marcados ainda por um desgaste diplomático com Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia. O mandatário retornou à Presidência da República com a intenção de costurar um acordo de paz na região que há mais um ano estava em guerra com a Rússia.

O objetivo era investir na proximidade com Putin para encontrar uma solução para o o conflito.

A iniciativa, contudo, não teve resultados concretos. Neste cenário, Lula relativizou a responsabilidade da guerra entre agressor e agredido e chegou a dizer que Zelensky era tão responsável pela guerra quanto Putin, que deu início ao conflito. As declarações controversas do líder brasileiro renderam críticas do presidente ucraniano.

Os ruídos entre os dois líderes levaram a Ucrânia a deixar o Brasil sem um embaixadornas relações internacionais, deixar um país sem embaixador é um indicativo de “rebaixamento” na relação bilateral, podendo ser ainda um sinal de insatisfação.

Estremecimento diplomático com Netanyahu

Outro líder com quem Lula protagonizou ruídos foi com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

A crise teve início logo após os ataques do Hamas contra Israel, no dia 7 de outubro de 2023, o que desencadeou uma nova guerra no Oriente Médio. Embora tenha condenado os ataques do grupo terrorista, o petista foi um crítico contumaz da contraofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Imagem colorida mostra Lula e Netanyahu - Metrópoles

A crise chegou ao ápice depois que Lula comparou a atuação de Israel no enclave ao holocausto de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial, que matou milhões de judeus. A afirmação de Lula causou uma reação no governo israelense, que declarou Lula persona non grata e convocou o embaixador do Brasil em Tel Aviv para esclarecimentos.

A medida adotada pelo país, contudo, não agradou ao governo brasileiro, que viu constrangimento diplomático na condução do ato convocatório.

Logo em seguida, o Itamaraty convocou o então embaixador de volta para Brasília e deixou a embaixada em Tel Aviv sob a condução de um encarregado de negócios. A remoção do embaixador selou a profunda crise diplomática entre os dois países.

Daniel Ortega

Nicolás Maduro não foi o único aliado com quem Lula passou por um rompimento, o petista também se afastou de Daniel Ortega neste mandato. O ditador nicaraguense, que está no poder há quase duas décadas, rompeu com o Brasil após expulsar o embaixador brasileiro do país. Em reação, o Brasil adotou a reciprocidade e retirou a embaixadora do país em Brasília.

Breno da Costa era responsável pela embaixada do Brasil na Nicarágua desde 2022 e foi expulso do posto em agosto de 2024 após se ausentar do evento de aniversário da Revolução Sandinista – marco da história da esquerda no país e que levou Daniel Ortega ao poder. Lula sempre nutriu uma proximidade ideológica com o autocrata nicaraguense, de quem é um aliado desde 1979.

Nos últimos anos, na tentativa de se perpetuar no poder, Daniel Ortega aprofundou a erosão democrática na Nicarágua e passou a adotar medidas cada vez mais repressivas, marcadas pela perseguição sistemática a opositores e a lideranças religiosas.

A guinada autoritária isolou o regime no cenário internacional, provocou o rompimento com antigos aliados e dificultou a aproximação com governos que antes mantinham diálogo com Manágua.

O presidente Lula, que evitou fazer críticas mais contundentes ao líder, admitiu recentemente que a interlocução com Ortega se tornou praticamente inexistente.

Segundo o petista, o mandatário sequer atendeu a uma ligação telefônica feita por ele a pedido do falecido papa Francisco, evidenciando o desgaste da relação entre os dois governos, que chegou ao estopim com a expulsão de ambos embaixadores.