Nicarágua: governo Lula condena fala de Ortega sobre fim das eleições
Em nota, o Itamaraty cobra eleições livres e pede que o governo nicaraguense garanta o direito de escolha da população

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou, nesta quinta-feira (23/7), a declaração do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de que em seu país “não voltará a ter eleições”.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) afirmou ter recebido a fala “com preocupação” e cobrou que as autoridades nicaraguenses garantam ao povo o direito de escolher livremente seus governantes.
No comunicado, o Itamaraty recordou que a realização de eleições “livres, periódicas, plurais e transparentes” é um dos pilares da democracia e ressaltou que esse é um valor com o qual o Brasil mantém “profundo compromisso”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“O governo brasileiro conclama as autoridades do país, por isso, a assegurarem ao povo nicaraguense o livre exercício do direito soberano de escolha dos seus governantes”, afirmou a pasta.
“Eles gostariam de vencer as eleições para lucrar com as escolas. Mas que esqueçam isso: aqui não haverá mais eleições, para que não tentem, por esse caminho, tomar o governo e o poder”, afirmou o líder nicaraguense no último domingo (19/7).
Durante o discurso, Ortega também anunciou que a Assembleia Nacional — controlada pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), partido governista — passará a discutir novas leis para endurecer o combate aos adversários políticos.
Ortega no poder desde 2007
- Daniel Ortega, de 80 anos, governa a Nicarágua desde 2007 e, ao lado de Rosario Murillo, consolidou um sistema de poder cada vez mais centralizado.
- Nos últimos anos, organismos internacionais acusaram o governo de perseguir opositores, jornalistas, religiosos e integrantes da sociedade civil.
- Centenas de pessoas foram presas ou forçadas ao exílio, enquanto milhares de organizações não governamentais tiveram seus registros cancelados e seus bens confiscados.
- As medidas adotadas pelo governo ampliaram o isolamento diplomático da Nicarágua e motivaram sucessivas sanções impostas pelos Estados Unidos.
- A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em novembro deste ano.
- Entretanto, uma ampla reforma constitucional, que entrou em vigor no início de 2025, ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos, adiando, em tese, o próximo pleito para novembro de 2027.
Governo voltou atrás após repercussão
Depois da repercussão internacional da fala de Ortega, o governo da Nicarágua recuou parcialmente. Na quarta-feira (22/7), a copresidente Rosario Murillo, esposa de Ortega, afirmou que o país realizará eleições, mas rejeitou qualquer modelo que, segundo ela, seja influenciado pelos Estados Unidos.
Apesar da tentativa de esclarecimento, a declaração não dissipou as dúvidas sobre o futuro político do país, já que Ortega havia descartado expressamente novas eleições poucos dias antes e determinado que o Parlamento colocasse em prática medidas para fortalecer o controle sobre a oposição.










