G7: Lula critica protecionismo e defende respeito à soberania no combate ao crime
Discursos do presidente Lula contra protecionismo e em defesa da soberania foram vistos como um recado indireto a Donald Trump

Évian-les-Bains (França) — O presidente Lula usou seu discurso na cúpula do G7, nesta terça-feira (16/6), para enviar recados indiretos a Donald Trump sobre o “tarifaço” e sobre a classificação do Comando Vermelho (CV) e do PCC como organizações terroristas.
Sem citar nominalmente Trump ou os estados Unidos, Lula criticou medidas protecionistas adotadas por grandes potências econômicas. O petista disse que “o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas“.
“O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, afirmou Lula em discurso em uma sessão ampliada do G7, da qual Trump participa.
A declaração foi interpretada por integrantes da comitiva brasileira como uma reação às propostas do governo Trump de tarifar produtos brasileiros. Atualmente, há duas propostas dos Estados Unidos para sobretaxar as importações brasileiras: uma de 25% e outra de 12,5%.
Soberania no combate ao crime
O outro recado de Lula a Trump foi dado no trecho em que defendeu o combate aos crimes transnacionais como parte da agenda de desenvolvimento. O petista defendeu a ampliação da cooperação internacional, mas ressaltou que qualquer iniciativa deve respeitar a autonomia dos países.
“Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento. Um deles, é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta do respeito à soberania dos Estados“, afirmou o mandatário brasileiro.
Lula afirmou que declaração de líderes do G7 sobre o combate ao tráfico de drogas “é um passo positivo”. No entanto, disse que “o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas“.
“Valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da Interpol, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas”, afirmou o petista, que deve se reunir com a cúpula da Interpol na quarta-feira (17/6) em Genebra.
Ainda no discurso, o presidente brasileiro criticou a “queda histórica de 23%” na ajuda oficial ao desenvolvimento, enquanto países gastam quases US$ 3 trilhões por ano com despesas militares. “O déficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política”, declarou.
Minerais críticos
Lula também abordou a questão dos minerais críticos. Em seu discurso, ele voltou a defender que os países detentores devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades”.
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