“Transporte precisa de um choque de capitalismo”, diz Orlando Silva (PCdoB)

Comunista candidato à Prefeitura de SP defende mais concorrência e capital estrangeiro em setores estratégicos: “Pegue o exemplo da China"

atualizado 21/10/2020 14:51

Candidato à Prefeitura de São Paulo Orlando Silva (PCdoB)Jennifer Glass

São Paulo – O candidato Orlando Silva (PCdoB) rebateu, na manhã desta quarta-feira (21), o argumento de que a ideologia comunista seria um impeditivo para o desenvolvimento da cidade de São Paulo. Em conversa na Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), o político defendeu  maior concorrência no setor de transportes e a entrada de capital estrangeiro em setores estratégicos, como o da aviação civil.

“Me incomodam demais os números da cidade: tarifa de R$ 4,40, Bilhete Único reduzido para duas horas, famílias que se revezam no controle do transporte público”, disse Silva.

“Precisamos de um choque de capitalismo no transporte municipal para tirar essas famílias do controle. Não se pode ter licitações viciadas, em que é preciso ter equipamentos instalados na cidade, patrimônio, para participar”, afirmou.

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O candidato também defendeu a entrada de capital estrangeiro em setores estratégicos, na contramão de pautas associadas à esquerda. “Se é possível o capital internacional atuar no Brasil, pode participar de todas as áreas da economia”, declarou. “No setor aéreo, por exemplo, ninguém me convence que não pode ter empresas internacionais disputando o mercado interno”, acrescentou.

Questionado se não haveria incoerência entre estas propostas e a ideologia comunista, Silva usou o exemplo da China, onde funciona o capitalismo de Estado (o Partido Comunista chinês dirige os investimentos privados). Não tem nenhuma empresa internacional que não invista na China”, disse o candidato. “O mercado não é uma instituição capitalista, assim como o planejamento estatal não é uma instituição comunista”, pontuou.

Aliado histórico do PT, o candidato do PCdoB lembrou dos governos Lula: “Em poucos momentos na história do Brasil o grande capital ganhou tanto quanto na gestão de Lula”, afirmou.

Silva ainda lembrou que, em março, quando foi declarado o estado de calamidade pública no Brasil, em função da pandemia do novo coronavírus, ele participou de reuniões do governo federal, à frente de uma verba de R$ 5 bilhões para o combate à doença. “Durante três semanas trabalhei com parte da equipe econômica, foi um trabalho quase clandestino — fico pensando como o presidente da República reagiu ao saber que integrantes do governo estavam se reunindo com um comunista”, recordou.

O candidato aposta na chamada indústria 4.0, baseada no avanço técnico-científico, para trazer novos investimentos, gerar empregos e renda na cidade. “A vocação industrial de São Paulo não é a mesma de cem anos atrás, é nova”, observou. Suas outras postas, comentadas na ocasião, referem-se à recuperação da cracolândia e à proteção dos dados pessoais, assunto de cuja comissão especial o deputado é relator no Congresso Nacional.

Para Silva, São Paulo precisa de um líder, e não de um gerente. “Sou a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa”, declarou: “São Paulo é uma cidade tão rica quanto desigual. Eu não faço ode à pobreza, eu quero encerrar o ciclo da pobreza”, afirmou, rebatendo outra crítica feita à ideologia comunista.

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