Tornado? O que é a microexplosão que causou destruição no interior de SP

Árvores foram derrubadas e construções acabaram destruídas em Pirassununga (SP), na noite do último sábado (9/10), pela força dos ventos

atualizado 11/10/2021 19:58

Reprodução/Twitter

São Paulo – Vídeos publicados nas redes sociais mostram como ficou a cidade de Pirassununga, a cerca de 210 quilômetros de São Paulo, após uma microexplosão atingir o município no sábado (9/10).

A ventania de mais de 80 km/h derrubou mais de 100 árvores e destruiu construções como casas e a rodoviária da cidade, que decretou estado de calamidade pública.

Uma intensa chuva de granizo também foi registrada e impediu que veículos seguissem caminho em ruas e estradas. Apesar do estrago, não há informações de desabrigados e desalojados, de acordo com a Defesa Civil de São Paulo.

Conhecido também como “microburst”, a microexplosão é uma corrente de ar muito forte que vem de cima para baixo após se desprender de uma nuvem denominada Cumulonimbus.

Segundo o Climatempo, esta é uma espécie de nuvem vertical que, por si só, já pode causar estragos, como “chuva torrencial, granizo, descargas elétricas atmosféricas e ventos muito intensos e destruidores”.

0

A depender da quantidade de área que se desprende da nuvem, pode haver tornados (se o vento for em espiral), downburst (se a área total da nuvem se desprende) ou microexplosão, como foi o caso de Pirassununga, em que a menor parte da nuvem se soltou.

Meteorologista do Climatempo, Daniela Freitas explica que instabilidades no clima deram origem ao fenômeno na cidade.

“Essas precipitações foram causadas por ventos em altos níveis de atmosfera que organizaram a umidade na região que, somada com as temperaturas, criaram essas fortes precipitações. Além disso, analisando imagens de satélite, radares meteorológicos e os estragos na região, podemos dizer que houve um fenômeno chamado de microexplosão. […] Temos valores de precipitação na casa dos 35mm e rajadas de vento em torno de 80-85km/h na região”, explicou Daniela no site da empresa.

Desespero dos moradores

Nas imagens, é possível constatar não apenas a força do vento, mas também o desespero dos moradores, ilhados nas ruas.

“Olha quanto gelo, o que que é isso? Nossa senhora”, diz um homem que ficou preso em uma via pública em meio à chuva de granizo. Em outra gravação, uma mulher chora e diz: “caiu tudo na rodoviária. Tá tudo destruído”.

Prédios da administração pública também ficaram destruídos, como o Palácio da Educação. A Santa Casa de Pirassununga, onde trabalha o prefeito, Dimas Urban, ficou alagada e precisou interromper atendimentos que dependiam de exames de imagem, pois os aparelhos pararam de funcionar.

Segundo Urban, a sala de plantão e o centro cirúrgico ficaram inundados e houve necessidade de transferir pacientes para o município de Leme, a cerca de 20 quilômetros de Pirassununga.

Teto desaba em sala de vacinas

Após a forte tempestade, a Prefeitura de Pirassununga anunciou que as ações de vacinação contra a Covid-19 estão suspensas “até que sejam restabelecidas as condições de funcionamento das unidades”.

Imunizantes precisaram ser levados para Piracicaba (SP) após o teto da sala de vacinas da Santa Casa desabar. Além disso, atividades administrativas do executivo municipal também estão suspensas pelo resto da semana, com exceção de “atividades essenciais das secretarias de Obras, Segurança Pública, Saúde e Promoção Social”.

A Defesa Civil de São Paulo informou que, até a tarde desta segunda-feira (11/10), já havia restabelecido 80% da energia elétrica, desobstruído todas as vias e realizado corte e poda de árvores com risco de queda.


O Fundo Social de Solidariedade de Pirassununga anunciou que, a partir de terça-feira (12/10), receberá doações de produtos e itens básicos para famílias que tiveram perdas devido à tempestade. Serão recolhidos: alimentos não perecíveis; roupas; cobertores; travesseiros; roupas de cama, mesa e banho; e produtos de higiene pessoal e limpeza.

 

Últimas notícias