TJDFT condena influencer que gravava aulas na UnB e difamava professor
Wilker Leão filmava aulas e questionava “doutrinação comunista“ de professor. É a segunda condenação do influencer por difamação e injúria
atualizado
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O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) condenou novamente Wilker Leão, o influenciador digital que gravava, sem autorização, as aulas na Universidade de Brasília (UnB).
Em acórdão publicado nesta quinta-feira (23/4), foi estabelecida uma pena de 1 ano, 11 meses e 10 dias de prisão, além de 58 dias-multa pelos crimes de difamação e injúria contra o professor de História da África Estevam Costa Thompson.
Em agosto do ano passado, o influenciador foi condenado pela primeira vez por calúnia e difamação.
Matriculado na disciplina de História da África, ministrada por Thompson no período noturno, em 2024, Wilker publicou na internet uma série de vídeos gravados em sala de aula questionando o conteúdo apresentado e com suposto objetivo de denunciar a “doutrinação comunista“.
Para o professor, o formato culminou em ofensas à honra, de forma objetiva e subjetiva.
Segundo o desembargador Cruz Macedo, as publicações do influenciador continham, além da exposição da aula, “títulos e comentários como referência à aula como ‘bobagem’; afirmação de que o professor teria ‘fugido’ da discussão; alegação de que estaria ‘protelando’ ou ‘enrolando’ o conteúdo; qualificações como ‘professor brabão’, ‘valentão que se acha general’, ‘transgeneral’ e ‘comunista’.”
“Os vídeos, conforme já afirmado, foram disponibilizados por meio do canal que o querelado mantém na plataforma YouTube e já ultrapassou, cada um, mais de 900 mil visualizações, atingindo um número surpreendente de pessoas, extrapolando, e muito, o ambiente acadêmico”, escreveu o magistrado.
Expulso da UnB
Em setembro, o youtuber foi expulso pela UnB por infringir regras internas, previstas na Instrução Normativa nº 01/2023, que dispõe sobre as Comissões de Processos Disciplinares, e ficará cinco anos sem poder estudar na instituição de ensino superior.
Procurada pelo Metrópoles, o advogado do professor, Melillo Dinis, afirmou que a decisão do TJDFT comprova que houve “assédio estudantil” por parte de Wilker.
“Desde o início do processo criminal, temos alertado que a defesa cuidaria de combater esse modelo de lacração que comete crimes com objetivo de ampliar a polarização. Isso é assédio estudantil e se transformou discurso de ódio”, disse.
Wilker Leão não constituiu advogado e fez a própria defesa no tribunal. O Metrópoles tenta contato com o influenciador.








