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Brasil

Telemarketing da morte: funerárias oferecem planos por telefone no RJ

"Nesse momento difícil, ninguém tem condições psicológicas de administrar essas burocracias”, diz uma das gravações em ligação automática

25/03/2021 13:04
Vinícius Schmidt/Metrópoles
Telemarketing da morte: funerárias oferecem planos por telefone no RJ

Com a alta de mortes por Covid-19, funerárias cariocas recorreram ao telemarketing para vender planos de sepultamento antecipadamente. Moradores do Rio de Janeiro(RJ) têm recebido ligações automáticas com gravações que destacam as vantagens de contratar o serviço diante do caos nos hospitais e cemitérios.

“Neste momento difícil que estamos atravessando, vemos pela televisão que ninguém tem condições psicológicas de administrar essas burocracias”, diz uma das mensagens.

Na última quarta-feira (25/3), o estado do Rio de Janeiro registrou 151 óbitos e o número de mortes em decorrência do novo coronavírus desde o início da pandemia no estado chegou a 35.331. Na capital, 90% dos leitos de UTI do Sistema Público de Saúde (SUS) estão ocupados.

Na última segunda-feira (22/3), 643 pessoas aguardavam por um leito nos hospitais do RJ – destes, 493 precisam de UTI e 150, de enfermaria. Os dados são do governo do Rio de Janeiro.

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Suspensão de férias

No início do mês, a Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif) emitiu um comunicado orientando as empresas a suspenderem as férias dos funcionários que atuam em “toda a cadeia de atividade funerária” devido à atual situação da pandemia.

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No último dia 20, a Abredif alertou sobre a possível falta de urnas funerárias.

“Nosso setor precisa estar preparado para realizar nos próximos 90 dias, 500 mil atendimentos funerários. Esta é a estimativa que poderá ser alcançada segundo os especialistas que estão estudando a evolução no número de óbitos”, diz o texto.

“Os fabricantes conseguem produzir, com muito esforço, algo em torno de 390 mil a 400 mil urnas neste período. Teremos que usar grande parte, em alguns casos, até o limite, nosso estoque regulador”, alerta o comunicado.

O texto orienta os empresários a fazer compras planejadas “para que não sobre em uma região e falte em outra”. “Ninguém pode comprar além da necessidade, nem ter menos do que o necessário.”