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Brasil

Tarifaço dos EUA afeta US$ 11 bilhões de exportação, diz Amcham

Para a Amcham, a decisão limita oportunidades de cooperação entre o Brasil e os EUA em áreas estratégicas

16/07/2026 09:51
Getty Images
Dois cartões com as bandeiras de Estados Unidos e Brasil, lado a lado - Metrópoles

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) criticou a tarifa de 25% imposta pelo governo Trump sobre os produtos brasileiros, que entra em vigor em 22 de julho. Nesta quinta-feira (16/7), por meio de nota, a Amcham afirma que a decisão afeta de forma drástica mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio.

A aplicação de tarifas do governo dos Estados Unidos ocorre após uma investigação do Escritório do Representante Comercial do país (USTR). O documento acusa o Brasil de “práticas desleais” que prejudicam empresas e exportadores norte-americanos, citando o Pix, o “desmatamento ilegal” e a corrupção.

Para a Amcham, a decisão limita oportunidades de cooperação entre o Brasil e os EUA em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual. Segundo a empresa, além de prejudicar o lucro das exportações brasileiras, a imposição de tarifas tende a elevar custo às empresas e consumidores dos EUA.

Ainda na nota, a instituição explica que o aumento de preço dos produtos do Brasil aos EUA, pode reduzir a competitividade de indústrias norte-americanas que usam insumos brasileiros, assim como ampliar a dependência de fornecedores asiáticos, com potencial de agravar o décit comercial norte-americano com países daquele continente.

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O aumento das tarifas também tende a aprofundar a retração do comércio bilateral, que já registra queda de 13% no ano e levou a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro ao menor patamar histórico. Também poderá afetar negativamente os investimentos bilaterais, que mantêm estreita relação com o dinamismo das trocas entre os dois países.

Retirada das sobretaxas é “urgente”

A Amcham estima que a nova medida tarifária pode aumentar o recuo do comércio bilateral, que teve de 13% no ano. Segundo a instituição, a última sanção de tarifas imposta ao Brasil registrou o “menor patamar histórico” da participação dos EUA no comércio brasileiro.

“Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%”, afirma o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.

A nova tarifa entra em vigor a partir da próxima quartta-feira (22/7). O documento que oficializa a nova taxação apresenta uma lista detalhada de isenções. Entre os itens que não serão taxados, destacam-se, por exemplo, café, mel orgânico, açaí, carne bovina, laranja, terras-raras e outros.