Suspensão de R$ 4 bi em emendas por Dino amplia atrito entre poderes
Após 2024 sob tensão, Legislativo e Judiciário têm agora mais um episódio de desavença às vésperas do Natal por causa das emendas

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu o pagamento de R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares às vésperas do Natal amplia ainda mais o atrito entre os poderes Judiciário e Legislativo.
O ano de 2024 ficou marcado pela tensão entre os dois Poderes, com a avaliação de parlamentares de que o STF está “invadindo” prerrogativas do Congresso, enquanto a Corte argumenta que está fazendo apenas seu papel nos momentos em que é acionada.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasNa decisão de segunda-feira (23/12) de suspender o pagamento das emendas, Dino citou episódios de mau uso do recurso público, que incluem “malas de dinheiro sendo apreendidas em aviões, cofres, armários ou jogadas por janelas”.
O ministro, no entanto, foi além da suspensão dos pagamentos. Ele também determinou à Polícia Federal (PF) a abertura de um inquérito para apurar a liberação do recurso. O magistrado abriu mão do recesso do Judiciário, ou seja, com uma investigação em andamento, mais desdobramentos envolvendo a suspeita de desvio de dinheiro público podem vir à tona, provocando novas decisões de Dino em janeiro.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO aumento da tensão entre os Poderes se dá na semana seguinte da aprovação do pacote de corte de gastos, votado na Câmara e no Senado sob o preceito da liberação e do pagamento das emendas parlamentares. Nas últimas semanas, o governo empenhou recursos para garantir que a votação fosse concluída.
A decisão do STF foi uma resposta a um pedido do PSol, que apontou irregularidades na destinação de R$ 4,2 bilhões em emendas de comissão.
No despacho, o ministro citou o ofício enviado por 17 líderes partidários ao governo federal solicitando a liberação do pagamento de 5,4 mil emendas de comissão, sem identificação dos autores. A medida foi questionada por diversas ações; entre elas o pedido do PSol. O partido Novo também havia questionado a ação.
Orçamento de 2025 pode estar ameaçado
Quando Dino suspendeu o pagamento de emendas parlamentares pela primeira vez, em agosto, líderes partidários prometeram não votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o próprio Orçamento caso o STF não voltasse a liberar os recursos.
Com a liberação das emendas em dezembro, deputados e senadores votaram a LDO, mas acabaram deixando a votação do Orçamento para fevereiro, na volta do recesso.
Acontece que, com a nova decisão de Dino de bloquear o pagamento de recursos, o Orçamento pode voltar a ser ameaçado, caso o Congresso decida parar a votação de propostas importantes enquanto o imbróglio que envolve as emendas não seja resolvido.
Na decisão dessa segunda-feira (23/12), Dino convocou uma audiência de conciliação para depois da eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado. Essa audiência deve ser realizada entre fevereiro e início de março, depois que os presidentes de comissões também forem escolhidos.
Decisão em momento de troca de presidentes
O despacho do ministro Dino se dá no primeiro dia do recesso parlamentar, em um momento em que o Congresso não deve reagir com votações e discursos na tribuna. Além disso, com a proximidade das festividades de fim de ano, muitos parlamentares estão desconectados. O Congresso só volta ao trabalho em 3 de fevereiro, quando serão eleitos os novos presidentes da Câmara e do Senado.
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Paulo Cappelli, líderes envolvidos com o desenho do Orçamento de 2025 apontaram que a decisão veio num momento em que o Legislativo não pode reagir, não somente porque está em recesso, mas porque passa por um momento de vácuo de poder nas duas Casas.
Os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), respectivamente, estão concluindo seus mandatos e, na semana passada, presidiram as últimas sessões. Portanto, Hugo Motta (Republicanos-PB), favorito para presidir a Câmara, e Davi Alcolumbre (União-AP), provável vencedor na corrida à presidência do Senado, deverão lidar com a questão.



