"Superbloco" encabeçado por Lira altera composição de poder na Câmara
Históricamente, o tamanho das bancadas e dos blocos está diretamente ligada à influência dentro da Casa

A Câmara dos Deputados ganhou uma nova organização na última quarta-feira (12/4) após a criação de um novo bloco parlamentar com 173 deputados. A movimentação afeta, em especial, as negociações de política direta entre governo e Congresso Nacional. Encabeçado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o grupo reúne os partidos do União Brasil, PP, PSB, PDT, federação PSDB-Cidadania, Avante, Patriota e Solidariedade.
O “superbloco” divide sua atuação entre governabilidade, disputa por relatorias e, também, o próximo embate pela presidência da Câmara dos Deputados.
Historicamente, o tamanho das bancadas e dos blocos está diretamente ligado à influência dentro da Casa.
Outro grupo formado recentemente reúne 142 deputados. Este é integrado pelo MDB, PSD, Republicanos, Podemos e PSC. O grupo, instalado no mês passado, fez com que as negociações de Lira ficassem ofuscadas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesUm dos pontos que incentivam formações de blocos na troca de governo é, por exemplo, a votação de propostas de emenda à Constituição (PEC). O resultado favorável ao Executivo pode demonstrar o sucesso de articulação da base. Na Câmara, são necessários três quintos de deputados, ou seja 308, para aprovar a proposta.
Antes mesmo de assumir o Planalto, o governo Lula teve de emplacar uma PEC para conseguir abrigar os gastos com programas prometidos durante o período eleitoral. A chamada PEC da Transição foi aprovada sob negociações de Lira com seus aliados e com pouca aparição da base de Lula.
Agora, uma outra proposta entra no radar do Executivo: a PEC que viabilizará a reforma tributária.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasBlocos
Reunindo 173 deputados, o bloco encabeçado por Arthur Lira é o maior da Casa. O grupo é liderado pelo deputado Felipe Carreras (PSB-PE), que já sinalizou que os parlamentares serão féis a Lira e darão sustentabilidade a Lula.
“O bloco vai ajudar a pavimentar a governabilidade de Lula na Câmara dos Deputados”, disse Carreras, em coletiva no salão verde da Câmara na tarde de quarta. A fala já repercutiu e um membro do grupo, que pertence à ala independente, afirma que declarações nesse tom gerarão atrito com o PP, União Brasil, PSDB e Cidadania. Essas legendas não se alinharam à base governista, apesar de o União contar com o comando de dois ministérios (e ter influência direta em um terceiro).
Veja a composição:
Do outro lado, com 142 deputados, o grupo do MDB, PSD, Republicanos, Podemos e PSC é o segundo maior da Câmara. A liderança é do deputado Fábio Macedo (Podemos-MA). Apesar de não estarem juntos com o blocão de Lira, os partidos estiveram juntos apoiando a reeleição do alagoano.
Veja a composição:
PL e PT de fora
Com as duas maiores bancadas na Câmara, os partidos opositores ficaram de fora da formação dos blocos. A eleição de 2022 elegeu o maior número de deputados do Partido Liberal, mesma legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com 99 parlamentares.
O Partido dos Trabalhadores, do presidente Lula, fez 68 deputados.
Veja a composição da bancada completa da Câmara dos Deputados em 2023:



