Sul em alerta: El Niño pode chegar com força a partir de julho

Neste ano, há mais de 80% de chance do El Niño chegar entre julho a setembro no país sob risco de eventos extremos no Sul

atualizado

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Imagem colorida de enchente no Rio Grande do Sul - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de enchente no Rio Grande do Sul - Metrópoles - Foto: Divulgação/Semae e prefeitura de São Leopoldo

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) informou que há mais de 80% de probabilidade do El Niño ocorrer no Brasil no segundo semestre de 2026, entre julho, agosto e setembro. A nota técnica, publicada no último dia 6/4, alerta para eventos climáticos extremos, sobretudo na região Sul do país.

O El Niño é um fenômeno climático global caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, especialmente em sua porção central e centro-leste, incluindo a região costeira do Equador e do Peru.

O aquecimento anômalo na temperatura da superfície do mar altera a circulação dos ventos no mundo todo, gerando um fluxo de ar intenso. Este fluxo, carregado de umidade, roda o mundo todo e, após passar pelo Paraguai e o norte da Argentina, ele chega na região Sul do Brasil.

No Sul, esta corrente de ar acaba interferindo na circulação de outros ventos da área e isso causa um bloqueio atmosférico, o que impede que as frentes frias avancem pelo território brasileiro, sendo assim, a região que mais sofre impactos durante o fenômeno climático.

Karina Bruno Lima, doutora em Climatologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), prevê um El Niño de moderado a muito forte neste ano e cita uma possibilidade maior para eventos extremos, no entanto, destaca que o cenário meteorológico exato ainda depende de monitoramento.

“O El Niño aumenta as chances de enchentes no sul do Brasil porque costuma provocar chuva acima da média na região, temos um risco maior de eventos extremos deste tipo. As previsões vão se tornando mais confiáveis com menor antecedência e, neste momento, vários modelos apontam para um EL Niño moderado, forte ou muito forte, mas ainda não é possível cravar a intensidade”, afirmou Karina Lima.

A climatologista ainda enfatiza que o El Niño, além de afetar de forma drástica o Sul, intensifica a seca no Norte e Nordeste. Isso acontece porque a alteração da circulação atmosférica cria áreas de alta pressão e subsidência do ar nessas regiões. Esse ar descendente aquece e inibe a formação de nuvens, tornando a atmosfera muito estável e seca.

Alerta para as bacias hidrográficas do Sul

A climatologista ainda alerta para a gestão e o monitoramento das bacias hidrográficas do Sul, tendo em vista que o nível da água pode subir de forma severa após as chuvas intensas. Karina destaca este tema como ponto crítico, visto que alguns rios contribuíram para a tragédia histórica no Rio Grande do Sul.

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Pessoas são resgatadas de barco após a enchente do Rio Guaíba inundarem as ruas da cidade de Porto Alegre no Rio grande do Sul
Voluntários ajudam mulher após a enchente do Rio Guaíba inundarem as ruas da cidade de Porto Alegre
Homem é visto com águas na cintura após a enchente do Guaíba
Chuvas no RS acenderam alerta sobre aumento de eventos extremos
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Chuvas no RS acenderam alerta sobre aumento de eventos extremos

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Pessoas são resgatadas de barco após a enchente do Rio Guaíba inundarem as ruas da cidade de Porto Alegre no Rio grande do Sul
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Pessoas são resgatadas de barco após a enchente do Rio Guaíba inundarem as ruas da cidade de Porto Alegre no Rio grande do Sul

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Voluntários ajudam mulher após a enchente do Rio Guaíba inundarem as ruas da cidade de Porto Alegre
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Homem é visto com águas na cintura após a enchente do Guaíba
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Homem é visto com águas na cintura após a enchente do Guaíba

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“O alerta da especialista Karina Lima foca em pontos críticos de ‘resposta rápida’. São regiões onde o relevo e a hidrografia fazem com que o nível das águas suba violentamente logo após as chuvas, como ocorre nas bacias do Guaíba, no Rio Grande do Sul, e do Itajaí, em Santa Catarina”, enfatizou.

Karina, também mestre em Geografia com ênfase em análise ambiental, destaca que, apesar dos eventos extremos acometerem a região Sul, quando se trata de desastres, o fator determinante são as vulnerabilidades locais.

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