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STF: Barroso manda apurar genocídio de indígenas no governo Bolsonaro

O ministro do STF determinou ainda a apuração de diversos crimes e reiterou ordem de expulsão definitiva de garimpeiros de terras indígenas

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Guilherme Amado entrevista o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso -- Metrópoles
1 de 1 Guilherme Amado entrevista o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso -- Metrópoles - Foto: Gustavo Moreno/ Metrópoles

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (30/1) que a Procuradoria-Geral da República (PGR), o Ministério Público Militar (MPM), o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJ) e a Superintendência Regional da Polícia Federal de Roraima apurem a possível participação de autoridades do governo Jair Bolsonaro (PL) no cometimento de crimes dos crimes de genocídio, desobediência, quebra de segredo de Justiça e de delitos ambientais relacionados à vida, à saúde e à segurança de diversas comunidades indígenas.

Em despacho na Petição (Pet) 9585, que tramita em sigilo, o ministro remeteu às autoridades documentos que, em seu entendimento, “sugerem um quadro de absoluta insegurança dos povos indígenas envolvidos, bem como a ocorrência de ação ou omissão, parcial ou total, por parte de autoridades federais, agravando tal situação”.

O ministro do STF ressaltou, por exemplo, a publicação no Diário Oficial, pelo então ministro da Justiça Anderson Torres, de data e local de realização de operação sigilosa de intervenção em terra indígena. Os indícios são de alteração do planejamento no momento de realização da Operação Jacareacanga, pela Força Aérea Brasileira (FAB), resultando em alerta aos garimpeiros e quebra de sigilo, comprometendo a efetividade da medida.

Segundo o ministro, os fatos ilustram “quadro gravíssimo e preocupante” e também a suposta prática de múltiplos ilícitos, com a participação de altas autoridades federais.

Retirada de garimpeiros

O ministro Barroso reiterou ainda a ordem de retirada de todos os garimpos ilegais das Terras Indígenas Yanomami, Karipuna, Uru-Eu-Wau-Wau, Kayapó, Arariboia, Mundurucu e Trincheira Bacajá. Esse medida é reiterada no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709.

A ação trata da proteção aos povos indígenas durante a pandemia da Covid-19, a partir de pedido de providências apresentado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

A Apib relatou a situação de gravíssima crise humanitária do povo indígena Yanomami, com desnutrição, alto contágio de malária e alta mortalidade, além de grande contaminação ambiental dos rios da região pelo mercúrio utilizado nos garimpos ilegais.

Estratégia sem efeito

No despacho desta segunda, o relator determina que sejam priorizadas as áreas em situação mais grave. Segundo ele, a estratégia supostamente adotada anteriormente, de “sufocamento” da logística desses garimpos, não produziu efeitos.

Por se tratar de medida necessária ao cumprimento de decisão judicial, Barroso também determinou a abertura de crédito orçamentário, em valor suficiente para efetivar as providências e a adoção das medidas urgentes e necessárias à preservação da vida, da saúde e da segurança das comunidades indígenas em risco.

Desobediência

O ministro determinou ainda que a PGR seja informada do conteúdo integral dos autos para a apuração de eventual crime de desobediência em virtude do descumprimento das determinações do STF, bem como para fins de responsabilização das autoridades envolvidas.

Barroso salientou que a omissão e desobediência podem ter relação com a grave crise humanitária na Terra Indígena Yanomami. Também determinou que a Superintendência Regional da PF em Roraima seja informada sobre esses fatos, em razão da possível existência de informações relevantes para o inquérito em que se apura a prática de crime de genocídio e de omissão de socorro contra a população Yanomami.

O ministro deu prazo de 30 dias corridos para que a União apresente um diagnóstico da situação das comunidades indígenas, planejamento e respectivo cronograma de execução das decisões pendentes de cumprimento.

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