Sobe para sete o número de mortos na Muzema. Ainda há desaparecidos

Corpos são de um homem e uma mulher, ainda não identificados. Bombeiros continuam trabalhando no local para localizar outras vítimas

OSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADAO CONTEUDOOSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADAO CONTEUDO

atualizado 13/04/2019 9:39

O Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro retirou, na madrugada deste sábado (13/4), outros dois corpos dos escombros dos prédios que desabaram na Muzema, zona oeste do Rio, elevando para sete o número de mortos até o momento.

Os corpos são de um homem e de uma mulher, ainda não identificados. As equipes de resgate seguem no local à procura de sobreviventes. De acordo com a Defesa Civil, 13 pessoas são consideradas desaparecidas. Dez foram resgatadas com vida.

Por volta de 23h dessa sexta-feira (12), os bombeiros conseguiram resgatar com vida o menino Hilton Guilherme Sodré de Souza, 12 anos. Com fratura em uma das pernas e ferimentos no rosto, mas consciente, o garoto deixou o local em uma ambulância e foi levado para o Hospital Miguel Couto, na Gávea.

Os pais de Hilton, Hilton Berto Rodrigues Souza e Maria de Nazaré Sá Sodré estão entre os considerados desaparecidos. Também nessa sexta, uma criança foi tirada com vida dos escombros. À tarde, dois corpos foram encontrados pelos bombeiros. Um homem que havia sido resgatado com vida morreu no hospital da Unimed, para onde tinha sido levado.

Mortos:

  • Cláudio Rodrigues, 40 anos;
  • Homem adulto ainda não identificado;
  • Criança ainda não identificada;
  • Dois corpos retirados dos escombros no início da noite de sexta-feira (12);
  • Dois corpos retirados dos escombros durante a madrugada de sábado (13).

Feridos:

  • Luciano Paulo dos Santos, 38 anos;
  • Adilma Rodrigues, 35 anos;
  • Evaldo Vieira Silva, 46 anos;
  • Clara Rodrigues, 10 anos;
  • Raimundo Nonato Ferreira Gomes, 41 anos;
  • Carolina Ferreira Andrade;
  • Paloma Paes Leme Barroso;
  • Rafael Paes Leme do Nascimento, 4 anos;
  • Wilton Guilherme, 12 anos.

Segundo os moradores do condomínio, um dos prédios, recém-construído, estava com cinco apartamentos ocupados. O trabalho de resgate continua sem o uso de máquinas pesadas devido à possibilidade de encontrar sobreviventes.

A primeira vítima a ser identificada foi Cláudio Rodrigues, 40. Ele morreu, na tarde dessa sexta-feira (12), no Hospital Municipal Lourenço Jorge.

Cláudio, a esposa dele, Adilma Rodrigues, 35, e a filha, Clara, 8, mudaram-se para o prédio que desabou na semana passada. Mãe e filha estão internadas em estado grave. Cláudio foi retirado com vida dos escombros com traumatismo craniano. Durante o resgate, porém, ele sofreu quatro paradas cardíacas.

Ao menos 12 feridos foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros. A maior parte ainda não foi identificada. Os atendimentos estão concentrados nos hospitais Lourenço Couto, Miguel Couto e Unimed-Rio. Homens de seis batalhões da corporação atuam no resgate.

Construções irregulares
Segundo a prefeitura da capital fluminense, os prédios que desabaram “eram construções não autorizadas pelos órgãos municipais”. Em nota, o governo informou que os edifícios estavam interditados desde novembro de 2018.

A região das construções, que inclui outros edifícios, é uma Área de Proteção Ambiental (APA) que só permite que casas sejam erguidas. “Na Muzema, as construções não obedecem os parâmetros de edificações estabelecidos, como afastamento frontal, gabarito, ocupação, número de unidades e de vagas”, destaca a nota.

O Rio de Janeiro se encontra em estado de calamidade e tem enfrentado chuvas fortes nos últimos dias. Na segunda-feira (18), um temporal deixou 10 pessoas mortas e bairros submersos. Em 24 horas, a chuva chegou a 323 milímetros, de acordo com dados do Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden).

Veja imagens da tragédia:

Repercussão
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, lamentou o ocorrido. Ele usou sua conta oficial no Twitter para comentar a tragédia. “Infelizmente, já há mortos e feridos vítimas do desabamento. Nossos bombeiros, como sempre, fazendo seu melhor”, disse.

Após a tragédia, parlamentares cobraram mais ações da Prefeitura do Rio para diminuir a interferência de milícias na região. Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) pediu solidariedade às famílias afetadas.

A todo o momento, parentes de vítimas e de atingidos chegam ao local em busca de informações. O Corpo de Bombeiros está atualizando uma lista com os nomes e contatos dos moradores dos edifícios que desmoronaram e das edificações vizinhas.

Entenda o caso
No início da manhã de sexta (12), dois prédios de seis andares desabaram na Muzema, zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo relatos de moradores, as edificações ainda estavam em obras, mas algumas unidades já encontravam-se ocupadas.

O bairro foi fortemente atingido pelos temporais que caem no Rio desde o último domingo (7). Na região, ainda segundo dados da prefeitura, vivem 30 mil pessoas. Os trabalhos de resgate e identificação continuam. (Com informações da Agência Brasil)

Veja onde foi a tragédia:

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