Desespero: parentes procuram por vítimas após desabamento no Rio

Dois prédios na Muzema caíram no início da manhã desta sexta (12/4). Prefeitura diz que obras eram irregulares e área comandada por milícias

Reprodução/GloboNewsReprodução/GloboNews

atualizado 12/04/2019 13:50

Familiares e amigos de moradores dos dois prédios que desabaram, por volta das 7h desta sexta-feira (12/4), começam a chegar na comunidade de Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, em busca de notícias. Com a tragédia, ao menos duas pessoas morreram e sete ficaram feridas. Quem está no local afirma que há mais desaparecidos.

Alan Santana foi buscar informações sobre dois tios e três primos. Ele entregou ao Corpo de Bombeiros os nomes: Paloma, Nonato, Isac, Pedro, Luana e Rafael. A família morava no local há três meses e, segundo ele, as obras no prédio não estavam finalizadas.

“A parte de cima não estava acabada, estava no tijolo. Mas nunca falaram nada sobre estragos.  Não sei de quem compraram ou se era irregular”, conta. Segundo ele, o preço médio dos apartamentos varia de R$ 90 mil a R$ 100 mil.

O homem conta como ficou sabendo da notícia. “Ia para o trabalho e meu pai me ligou. Quando liguei a televisão, vi que era aqui. Cheguei sem saber de nada. Meu tio disse que aqui era bom de morar”, lamentou.

Desesperada, Júlia Ferreira invadiu o local interditado. Ela contou aos repórteres que um primo, a esposa dele e os dois filhos moravam no primeiro andar de um dos prédios que desabou. “Estive aqui há poucas semanas, no aniversário das crianças”, detalhou.

Segundo a mulher, o edifício tinha seis andares, mas nem todos os apartamentos estavam ocupados. Desde os temporais que atingiram a cidade, entre o último domingo (7) e terça-feira (9), a família não voltava para casa. “Eles estavam dormindo no trabalho dele [primo] porque estavam com medo. Eles não voltavam para casa por medo. Não sei se ontem [11] eles vieram”, destacou.
Júlia contou que problemas de infraestrutura são comuns na região, que tem cerca de 30 mil habitantes, segundo informações da Prefeitura do Rio de Janeiro. “Sempre que chove é muita lama, muita água acumulada e muito problema”, encerrou, antes de ir buscar informações com o Corpo de Bombeiros.
Por volta de 9h30, homens da Defesa Civil e da Light desligaram a eletricidade na região. O acesso ao local é difícil e muitos moradores auxiliam os atingidos com água e comida. Segundo a Prefeitura do Rio, a localidade tem muitos imóveis irregulares.
O Rio de Janeiro se encontra em estado de calamidade e enfrenta chuvas fortes. No maior temporal dos últimos 22 anos, ocorrido no dia 10 deste mês, 10 pessoas morreram e bairros ficaram submersos. Em 24 horas, a chuva chegou a 323 milímetros, de acordo com dados do Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden).

Veja imagens do local:

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