Silêncio de Alcolumbre deixa Messias no escuro antes de sabatina
Messias deve chegar na sabatina na CCJ do Senado sem conseguir encontro com Davi Alcolumbre
atualizado
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Às vésperas de ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, ainda tenta conseguir um encontro ou ao menos um aceno do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A posição do senador amapaense foi de silêncio durante os cinco meses que o AGU ficou em banho-maria. A sabatina de Messias está marcada para a manhã desta quarta-feira (29/4).
Antes de chegar na CCJ, Messias visitou cerca de 77 dos 81 senadores da Casa, inclusive os da oposição. Dentre os que não receberam visita, está justamente Alcolumbre, que preferia o nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para ocupar a cadeira do ministro aposentado Luís Roberto Barroso.
Segundo apurou o Metrópoles, o encontro entre o postulante ao STF e o presidente do Senado não está no horizonte. Um dos fatores que pode ter aumentado o ruído entre os dois foi a participação de Messias em um jantar organizado pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP), adversário político de Alcolumbre no Amapá.
No total, participaram do evento 38 senadores com voto declarado ao ministro.
Para ser aprovado na CCJ e seguir no processo de indicação ao STF, o candidato a ministro precisa de maioria simples dos votos dos senadores presentes na sessão. Se aprovado, segue para o plenário, onde precisa conquistar 41 votos dos 81 senadores. Segundo apurou o Metrópoles, Messias contabiliza ao menos 47 votos garantidos.
O caminho de Messias até a sabatina na CCJ
- Em 20 de novembro de 2025, o presidente Lula indicou Jorge Messias ao STF;
- A cadeira na Corte ficou vaga após a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso;
- Messias precisa ser aprovado por maioria simples na CCJ e, depois, receber ao menos 41 votos no plenário do Senado;
- A sabatina sofreu atraso e o processo levou 131 dias desde a indicação do presidente;
- Por receio de ter a indicação rejeitada, Lula só enviou o nome de Messias ao Senado em 1º de abril;
- A demora refletiu receio de rejeição e disputas políticas internas no Senado;
- A articulação de Messias incluiu visitas a cerca de 77 senadores, inclusive da oposição;
- Apesar de expectativa de aprovação, aliados projetam margem apertada, como em casos recentes.
A base governista tentou ainda articular uma conversa entre Messias, Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, não houve tempo hábil para viabilizar este encontro.
Antes da sabatina, Lula volta a campo para articular a aprovação de Messias. Ele deve se encontrar com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), e com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), nesta terça-feira (28/4), para tratar sobre o indicado.
Interlocutores de Messias afirmam acompanhar a situação no Senado diariamente e apontam que o cenário conjuntural é melhor do que no fim do ano passado, quando Alcolumbre chegou a marcar a sabatina, mas teve de adiar a data por causa da demora em receber a mensagem presidencial.
A tônica ainda é de cautela, segundo esses interlocutores. Ainda que acreditem que Messias será aprovado, reconhecem que a margem deve ser pequena, parecida com a do ministro do STF Flávio Dino.
Nessa segunda-feira (27/4), o Metrópoles noticiou, na coluna Igor Gadelha, que o ministro Jorge Messias entrou em jejum espiritual. Segundo aliados de Messias, o processo visa “ampliar a conexão com Deus” e é marcado por orações e por horários reduzidos para refeições.
Quem é Jorge Messias
Jorge Rodrigo Araújo Messias tem 46 anos e nasceu em Recife. O pernambucano é graduado em direito pela universidade federal do estado, além de mestre e doutor em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação pela Universidade de Brasília (UnB).
Messias ingressou na AGU em 2007, no cargo de procurador da Fazenda Nacional. Ele foi o número 2 no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para assuntos jurídicos na Casa Civil.
A indicação de Messias à Suprema Corte é lida como um aceno aos evangélicos pelo governo petista. Embora seja presbiteriano atuante na Igreja Batista e visto como um homem de confiança para a gestão petista, o nome não é benquisto por parte da bancada evangélica no Senado.






