Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Senado aprova incentivos para exploração de minerais críticos no Brasil

Prioridade do governo Lula, projeto cria benefícios bilionários para estimular processamento de minerais no país. Texto vai à sanção

02/09/2026 18:24, atualizado 02/09/2026 18:38
Senado aprova incentivos para exploração de minerais críticos no Brasil
Senado aprova incentivos para exploração de minerais críticos no Brasil

O Senado aprovou nesta quarta-feira (2/9) o projeto que cria uma política nacional para minerais críticos e estratégicos e prevê incentivos para ampliar o processamento desses recursos no Brasil. O texto, considerado prioridade pelo governo Lula, segue para sanção presidencial.

A proposta tenta ampliar a participação do país nas etapas mais valiosas da cadeia mineral, com incentivos para que os recursos extraídos no Brasil também sejam processados e transformados aqui.

Entre as principais medidas estão um fundo garantidor que poderá receber até R$ 2 bilhões da União e créditos fiscais de até R$ 5 bilhões entre 2030 e 2034 para empresas que beneficiem, transformem ou reciclem minerais no país.

O relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), disse que a intenção é fazer com que a exploração desses recursos gere mais atividade econômica dentro do país.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

“Esse projeto de lei vai possibilitar, finalmente, geração de emprego e renda no território nacional, agregando valor aos minérios críticos e aos minerais críticos que o Brasil possui e que, lamentavelmente, estavam sendo exportados in natura, agregando valor a uma indústria que está concentrada nos Estados Unidos, na China, no Vietnã, na Ásia, no Oriente e até mesmo na Europa”, afirmou.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) define como minerais críticos são matérias-primas essenciais para áreas como tecnologia, energia, defesa e agricultura, mas cujo fornecimento pode ficar ameaçado. Já os estratégicos são considerados importantes para o desenvolvimento econômico e tecnológico do país.

As terras raras, que tem ganhado cada vez mais menções no noticiário, podem ser classificadas como minerais críticos, dependendo de sua importância e do risco de desabastecimento. Mas nem todo mineral crítico é uma terra rara: a categoria é mais ampla e abrange diversos outros recursos.

Na prática, os minerais críticos e estratégicos estão presentes em baterias, eletrônicos, fertilizantes, equipamentos de alta tecnologia e tecnologias usadas na geração de energia.

O Brasil ocupa uma posição privilegiada nessa disputa. O país tem a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, atrás apenas da China, além de grandes reservas de recursos como nióbio, lítio, grafite, cobre, cobalto e urânio.

A importância desses minerais cresceu com a corrida de grandes economias para garantir o fornecimento de matérias-primas usadas em novas tecnologias e na transição energética. Os Estados Unidos, em especial, têm buscado acordos internacionais para assegurar acesso a esses recursos e reduzir a dependência de cadeias dominadas pela China.

O tema também entrou na relação entre Brasília e Washington. Lula já afirmou que discutiu o assunto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas tem defendido que eventuais parcerias garantam processamento no Brasil, transferência de tecnologia e controle nacional sobre a exploração.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

A posição foi repetida na semana passada, quando Lula discutiu o projeto com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), durante almoço no Palácio da Alvorada.

“Por ser do Brasil, a gente tem que garantir que essas coisas se transformem em algo que faça o povo brasileiro sonhar com a possibilidade que nós temos de garimpar, tratar e produzir coisas importantes neste país. É uma coisa sagrada para o futuro do nosso país”, disse o petista.

Incentivos

A principal aposta do projeto para aumentar o processamento no Brasil são os créditos fiscais. O governo poderá conceder até R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034. O benefício poderá chegar a 20% dos gastos das empresas com beneficiamento, transformação e mineração urbana, que inclui a recuperação de minerais de produtos descartados.

O tamanho do incentivo deverá variar de acordo com o valor agregado no país. Entre os produtos que poderão ser contemplados estão materiais usados em baterias, ímãs permanentes e fertilizantes.

O Fundo Garantidor da Atividade Mineral, por sua vez, servirá para dar garantias a projetos considerados prioritários e facilitar a obtenção de financiamento. A União poderá aportar até R$ 2 bilhões no fundo.

Empresas que atuam na pesquisa, extração, beneficiamento e transformação desses minerais também terão de colocar recursos na política:

  • Nos seis primeiros anos após a regulamentação, deverão destinar pelo menos 0,5% da receita dessas atividades, descontados os tributos: 0,3% para pesquisa e inovação e 0,2% para o fundo garantidor.
  • Depois desse período, os 0,5% serão destinados integralmente a pesquisa, desenvolvimento e inovação.

A proposta ainda permite o uso de debêntures incentivadas para financiar projetos considerados prioritários e cria um cadastro nacional. Para acessar os incentivos previstos na política, os empreendimentos terão de estar cadastrados e habilitados.

Conselho nacional

Outro eixo é o controle sobre negócios considerados sensíveis. O projeto cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, ligado à Presidência da República.

O órgão definirá projetos prioritários e terá atribuições na análise de determinadas operações envolvendo empresas e direitos minerários.

Por meio do novo conselho e da ANM, o projeto dá ao governo poder para analisar e barrar determinadas operações, como parcerias internacionais, consideradas sensíveis para a “segurança econômica ou geopolítica do país”.

A regra também alcança mudanças no controle de empresas detentoras de direitos sobre esses minerais e determinadas participações estrangeiras.

Eduardo Braga disse que o relatório foi construído em torno de três pontos: soberania, absorção de tecnologia e acesso ao capital necessário para desenvolver os projetos.

“Naquelas situações em que temos o minério, mas não temos a tecnologia, precisamos nos associar e garantir a transferência dessa tecnologia para a nação brasileira”, afirmou o relator.

O senador manteve a estrutura do projeto aprovada pela Câmara em maio. Ele fez mudanças de redação, que não levam o texto de volta à análise dos deputados.

Entre elas, o Senado deixou expresso que o novo conselho não poderá assumir funções de regulação, fiscalização e concessão que já cabem à ANM e a outros órgãos. Também incluiu a Política Nacional de Defesa e a Estratégia Nacional de Defesa entre as referências para a execução da nova política.

Senado aprova incentivos para exploração de minerais críticos no Brasil