Sem salários, médicos abandonam hospital de GO referência em Covid

Intensivistas do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (GO) afirmam que não recebem desde dezembro e anunciaram saída coletiva

atualizado

metropoles.com

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Rodrigo Estrela/Divulgação
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1 de 1 goias hmap - Foto: Rodrigo Estrela/Divulgação

Goiânia – Um dos hospitais públicos essenciais no atendimento a pacientes com Covid-19, em Goiás, corre o risco de ficar sem médicos suficientes para fazer o acompanhamento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Vinte e nove intensivistas enviaram carta à direção do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP), na Região Metropolitana de Goiânia, anunciando a saída por causa da falta de pagamento dos salários e sobrecarga de trabalho.

A unidade, que é gerida pela organização social (OS) Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH), foi uma das que recebeu pacientes transferidos de Manaus (AM) para Goiás, no dia 18/1 deste ano. Ao todo, 14 pacientes do Amazonas foram atendidos no hospital. Seis deles morreram e sete já receberam alta e voltaram para casa.

Desde o ano passado, os profissionais que atuam no HMAP, não só da UTI, mas, segundo o Sindicato dos Médicos de Goiás (Simego), de todas as especialidades, lidam com atrasos dos pagamentos.

Na carta, os médicos explicam que foi feita uma “negociação exaustiva” para reverter a situação e que, mesmo assim, não houve uma resposta positiva por parte do hospital. Além da questão financeira, eles pontuam ainda a falta de materiais e profissionais suficientes para oferecer um atendimento adequado aos pacientes.

A prefeitura de Aparecida de Goiânia informa que está em dia com os repasses e que o dinheiro foi enviado ao IBGH para custear a gestão do hospital. Já o IBGH alega que os médicos são funcionários de uma empresa terceirizada, chamada IMED, e que essa empresa é que estaria gerando o atraso dos pagamentos.

Sindicato: “Já ocorre desassistência”

A presidente do Simego, a médica Francine Leão, diz que as rescisões contratuais de médicos do HMAP já ocorrem desde o fim do ano passado e que as reposições não foram feitas devidamente. “Já está acontecendo desassistência por falta de profissional médico em muitos setores do hospital”, afirma. E as consequências devem atingir os plantões deste fim de semana.

“Nenhum plantonista está aceitando fazer plantão neste final de semana, mesmo quem não assinou a carta. A gente não sabe exatamente onde está o gargalo, se é no IBGH ou na empresa, que contrata médico PJ”, diz Francine.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Aparecida de Goiânia afirma, em nota, que o atendimento segue normalmente, sem intercorrência e que foi informada pelo IBGH que houve uma reestruturação do quadro de funcionários do hospital.

O Metrópoles entrou em contato com o IBGH, que, por meio de nota, alega que a UTI segue funcionando normalmente na unidade e que não houve baixa no quadro de profissionais. Em entrevista à TV Anhanguera, a superintendente executiva do Instituto, Lázara Mundim, disse que a empresa terceirizada que contrata os médicos passa por auditoria e que, diante das reclamações, a direção do HMAP decidiu trocá-la.

Troca da organização social

O IBGH era responsável pela gestão de mais três hospitais da rede estadual de saúde em Goiás, nas cidades de Jaraguá, Santa Helena e Pirenópolis. Em dezembro de 2020, a organização social enviou ofício ao estado informando o desinteresse em continuar à frente dessas unidades.

Desde então, a prefeitura de Aparecida de Goiânia ficou em alerta sobre a situação do HMAP e oficiou a direção do IBGH para saber sobre a continuidade na gestão do hospital municipal. De acordo com a Secretaria de Saúde, a resposta enviada pelo instituto indicava que ele continuaria, apenas, por um período de seis meses.

Diante do que foi exposto, a prefeitura deu início ao processo de seleção de uma nova OS para gerenciar a unidade. O HMAP atende pacientes de Aparecida de Goiânia e de mais 55 cidades de Goiás.

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Wigor Vieira/Ascom - Aparecida de Goiânia

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