Sem repetir reação forte de 2025, Congresso busca resposta ao tarifaço
Enquanto líderes do Centrão apostam em negociação e novas missões aos EUA, governistas preferem explorar impacto político sobre Flávio
atualizado
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A cúpula do Congresso avalia que será difícil repetir a forte reação adotada em 2025 diante do novo tarifaço que os Estados Unidos estudam impor a produtos brasileiros. Na ocasião, Câmara e Senado aprovaram o Projeto de Lei (PL) da Reciprocidade Econômica após o governo norte-americano anunciar tarifas sobre produtos importados de diversos países, incluindo o Brasil.
O projeto deu ao governo instrumentos para responder a barreiras comerciais impostas por outros países. Na época, a proposta avançou rapidamente porque uniu interesses do governo e do agronegócio, ambos preocupados com os impactos das tarifas americanas sobre as exportações brasileiras.
Após a divulgação de uma proposta do Escritório do Representante Comercial dos EUA para tarifar em 25% as importações brasileiras, líderes partidários afirmam que o cenário é diferente. Apesar disso, defendem que o Congresso e o governo federal adotem alguma resposta política e institucional à medida.
Na madrugada dessa quarta-feira (3/6), a gestão Trump fez uma segunda ameaça e anunciou a possibilidade de impor uma tarifa de 12,5% sobre produtos de diversos países, incluindo o Brasil. A iniciativa veio após uma investigação comercial sobre o suposto uso de trabalho forçado por 59 países e pela União Europeia.
Governistas veem tarifa como arma política contra Flávio
Nos bastidores, governistas ouvidos pelo Metrópoles avaliam que a reação ao novo tarifaço deve se dar mais no campo político do que em reações concretas. A estratégia passa por associar a medida ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal nome da direita para a disputa presidencial.
Integrantes da base têm explorado o fato de o parlamentar ter viajado no mês passado aos Estados Unidos e passaram a vinculá-lo politicamente ao episódio.
A avaliação no entorno de Lula é que o primeiro embate comercial com o governo do presidente Donald Trump acabou produzindo ganhos políticos para o Planalto. Após a reação do governo ao tarifaço anunciado em 2025, pesquisas registraram melhora nos índices de aprovação do presidente.
Por isso, interlocutores do governo afirmam que não há grande entusiasmo para repetir uma reação nos moldes da aprovação acelerada do PL da Reciprocidade. Na avaliação desses aliados, o contexto atual é diferente, e a principal frente de atuação deve ser a exploração política do tema, sobretudo contra Flávio.
Líderes partidários de siglas de centro disseram que a discussão ocorre em ano eleitoral, o que dificulta a construção de consensos para aprovar medidas de grande impacto. A avaliação é que qualquer iniciativa desse tipo acabaria inevitavelmente contaminada pela disputa presidencial de 2026.
Para a líder do PP no Senado, Tereza Cristina (MS), relatora da Lei da Reciprocidade na Casa, o Brasil precisa esgotar as possibilidades de negociação com os Estados Unidos e avaliou não ser o momento de usar os mecanismos retaliatórios.
“O Brasil vai ter que se esforçar um pouco mais nessa negociação, sentar mais à mesa e ter paciência. Isso é papel do Executivo. Nós aqui podemos ajudar, mas esse é um papel fundamental do Executivo, tratar com os Estados Unidos”, declarou.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MT), disse que a Lei da Reciprocidade é “um instrumento legítimo” à disposição do governo brasileiro para defender os produtos nacionais, mas pediu “responsabilidade” para não “aumentar a tensão” já existente com a Casa Branca
Tanto Trad quanto Tereza Cristina atribuíram cunho político ao relatório apresentado governo norte-americano. Trad fez críticas e citou que alguns dados estão defasados e “não correspondem à realidade do que acontece por aqui”.
“Muita coisa do que ali está escrito não corresponde à realidade e à verdade do que acontece por aqui. Por isso, entendo que há espaço para o diálogo, para a gente tentar convencer aqueles que colocaram situações que não correspondem à realidade do Brasil”, disse.
Congresso vê difícil repetir a reação de 2025
- Governistas associam o tema a Flávio Bolsonaro e apostam no desgaste político do senador;
- Senadores defendem negociação com os EUA antes de medidas de retaliação;
- Missões oficiais ganham força como principal resposta à ameaça tarifária.
Nova comitiva
O Senado avalia enviar uma nova comitiva para tentar reverter a situação, como fez em 2025, depois do anúncio do tarifaço norte-americano contra o Brasil. Na época, Trad organizou um grupo de oito integrantes da CRE para visitar senadores e representantes comerciais em Washington, D.C.
As investigações da USTR têm prazo de encerramento até 15 de julho. Ciente disso, Trad disse que essa possível comitiva pode encarar a possibilidade de não haver espaço para uma reversão integral, mas sim para algum tipo de redução de danos.
“Avaliamos todas as possibilidades. Primeiro, ouvir setores e reunir informações. Depois, avaliar quais integrantes da CRE deverão fazer os melhores encaminhamentos. E, se uma nova missão ajudar a abrir diálogo com parlamentares, autoridades e setores, esse caminho poderá ser usado novamente, mas precisa ter objetivo claro e utilidade concreta”, afirmou Trad.
Missão oficial
Até o momento, a principal iniciativa da base governista tem sido uma missão oficial a Washington, liderada pelo deputado Pedro Uczai (PT-SC), com a participação de Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Pedro Campos (PSB-PE) e André Janones (MG).
O grupo cumprirá uma agenda de reuniões com congressistas norte-americanos, diplomatas e representantes de organismos internacionais para discutir temas da relação bilateral, incluindo a proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Nos bastidores, parlamentares reconhecem que a estratégia atual está mais focada na interlocução política e diplomática do que na construção de uma resposta legislativa semelhante à adotada no primeiro tarifaço.
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