Sem oxigênio nos hospitais, Manaus vai transferir mais de 700 pacientes e terá toque de recolher

O Hospital Universitário de Brasília deve receber 20 pacientes. Situação no estado é caótica, segundo relato dos profissionais de saúde

atualizado 14/01/2021 18:52

Manaus - Coronavirus - BrazilLucas Silva/picture alliance via Getty Images

Com a situação caótica, Manaus vai transferir 750 pacientes para outras unidades da Federação. Entre elas, o Distrito Federal, conforme antecipou o Metrópoles. O Hospital Universitário de Brasília (HUB) vai receber ao menos 20 pessoas na enfermaria da rede pública nos próximos dias. A data da transferência ainda não foi cravada, mas o acordo está definido e a chegada dos doentes deve ocorrer até a semana que vem. A ideia é ajudar a amenizar a situação de colapso que assola a capital do Amazonas com o recrudescimento dos casos e a alta de mortes por coronavírus.

A transferência para o DF foi definida com o compromisso de que os pacientes possam receber, em caso de agravamento de suas condições, suporte respiratório, já que a capital amazonense está enfrentando uma severa crise de materiais, como cilindros de oxigênio.

O estado também tomou uma medida drástica. Vai adotar o toque de recolher a partir desta sexta-feira (15/1). A restrição vale para todos os municípios do Amazonas e terá duração de 10 dias. A informação consta em decreto, que deve ser publicado pelo governo estadual na sexta.

A determinação institui restringir provisoriamente a circulação de pessoas em espaços e vias públicas, de todos os municípios do estado do Amazonas, entre as 19h e as 6h. A medida foi anunciada nesta manhã pelo governador Wilson Lima.

Relatos dramáticos

Profissionais de saúde de Manaus relatam que o estoque de oxigênio para pacientes com Covid-19 chegou ao fim em hospitais da região. Nesta quinta-feira (14/1), o vídeo de uma funcionária do Serviço de Pronto Atendimento (SPA) e Policlínica Dr. José Lins, no município, viralizou nas redes sociais. Ela relata que o oxigênio de toda a unidade acabou.

“Não tem oxigênio, é muita gente morrendo. Quem tiver disponibilidade, por favor, oxigênio, traga. Tem muita gente morrendo”, afirmou, em vídeo.

As imagens também mostram policiais militares entregando duas bombas de oxigênio para a unidade. “Peço que disparem esse vídeo para um monte de lugar, por favor. Tem um monte de gente morrendo, pelo amor de Deus”, diz a funcionária. Veja a seguir.

Também há relatos de falta de oxigênio no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HGV), ligado à Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Em entrevista à Folha de S. Paulo, funcionários disseram que os pacientes estão recebendo oxigênio de forma manual.

De acordo com os trabalhadores da unidade, cada profissional consegue fazer o procedimento manual por até 20 minutos, tendo que ceder o lugar a outro técnico em seguida.

A informação foi confirmada pelo reitor da Ufam, Sylvio Puga. Segundo a unidade de saúde, ao menos 30 pacientes de Covid-19 foram transferidos para o Hospital Universitário de Teresina, no Piauí – em modelo semelhante ao que será adotado com o HUB.

Em nota, o HGV informa que tem conhecimento de que a falta de oxigênio afeta não apenas a unidade, “mas toda a cidade de Manaus”.

A instituição de saúde ressalta que tem contrato vigente para fornecimento de oxigênio, mas não recebeu a quantidade suficiente para atender os pacientes internados.

“Mesmo estando em contato com a fornecedora e até mesmo outras empresas há dias, o HUGV/Ebserh não recebeu o suficiente para atender a sua demanda”, informou o hospital, em nota.

Além disso, a instituição de saúde afirma que recebeu oxigênio para estabilizar, “temporariamente”, o estado de saúde dos pacientes, e que “continua não medindo esforços para normalizar a situação”.

Mais cinco estados

O governador Wilson Lima informou, nesta quinta-feira, que, além da unidade em Brasília, hospitais de cinco estados receberão pacientes de Manaus: Goiás, Maranhão, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte.

Em meio ao caos, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) confirmou, na quarta-feira (13/1), o primeiro caso de reinfecção no estado com a nova variante do vírus. A constatação fez o Reino Unido barrar viajantes do Brasil, de Portugal e de outros 14 países.

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