Abadiânia (GO) – A primeira aparição pública do médium João de Deus foi marcada por tumulto. Nos sete minutos em que ele ficou na Casa Dom Inácio de Loyola, na manhã desta quarta-feira (12/12), voluntários o cercaram e chegaram a agredir jornalistas com socos no estômago, ofensas verbais e até mordidas.

“Vocês terão câncer e voltarão todos aqui para se curar. Você se arrependerão do que estão fazendo”, gritava uma mulher. “Tenham respeito”, pediu outra. Assessora de imprensa de João de Deus, Edna Gomes pediu desculpas em nome da Casa Dom Inácio de Loyola pela postura agressiva.

“Peço desculpas a vocês, com elegância e simplicidade. Isso não acontece aqui na Casa. Talvez as pessoas estejam nervosas pelas coisas que estão ocorrendo. A Casa é de amor, ternura”, destacou.

João de Deus faz atendimentos espirituais às quartas, quintas e sextas. Ele chegou por volta das 9h30 ao local e foi cercado por uma multidão. Disse que é inocente. “Enquanto ele puder, vai vir aqui, fazer o trabalho dele. E se a Justiça achar que não deve, está também aberto”, ressaltou Edna Gomes. Segundo ela, o médium deixou o local após ter um pico de pressão.

Assim que João de Deus chegou à Casa nesta quarta (12), cerca de 100 pessoas estavam no local e o cercaram. Ele foi aplaudido e uma grande confusão se formou. Um dos voluntários disse aos jornalistas que o líder espiritual estava sem condições de fazer atendimentos em razão do escândalo e pediu desculpas: “Se houve um erro, peço desculpas”, afirmou o homem, que não se identificou.

Até o momento, 450 denúncias foram protocoladas em Ministérios Públicos de 10 estados e do Distrito Federal. Coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público de Goiás, Luciano Miranda Meireles avalia que os relatos de abuso sexual envolvendo o líder espiritual João Teixeira de Faria tem potencial para alcançar uma dimensão maior do que o caso de Roger Abdelmassih.

O ex-médico de reprodução assistida foi condenado a 181 anos de prisão por estupro de pacientes. “Pela movimentação que estamos assistindo, o número de mulheres que se apresentam como vítimas deverá ser maior. Há relatos de abusos ocorridos há 20 anos.”