Saúde prevê iniciar vacinação entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro

Secretário-executivo da Saúde, Élcio Franco, afirmou, no entanto, que precisa que fabricantes obtenham registro das vacinas junto à Anvisa

atualizado 29/12/2020 21:44

Tony Winston/MS

O Ministério da Saúde afirmou nesta terça-feira (29/12) que  a vacinação contra a Covid-19 poderá começar entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro de 2021. Mesmo com essa previsão, o secretário-executivo da pasta, Élcio Franco, ressaltou que é necessário que os laboratórios fabricantes obtenham o registro dos imunizantes junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A declaração do secretário-executivo foi feita durante coletiva para apresentar um balanço de ações do ministério frente à pandemia.

“Na melhor hipótese, nós estaríamos começando a vacinação a partir do dia 20 de janeiro. Num prazo médio, entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro. E no prazo mais longo, a partir de 10 de fevereiro”, disse Élcio Franco.

“Nós precisamos que os fabricantes obtenham o registro junto à Anvisa e que eles entreguem doses suficientes para que sejam distribuídas. Se o distribuidor obter o registro e eventualmente não tiver dose para distribuir… entenda: o Ministério da Saúde enquanto Ministério da Saúde tem feito a sua parte, fizemos o plano [nacional de imunização], estamos com a operacionalização pronta, nos preparando para esse grande dia, mas precisamos que os laboratórios solicitem o registro”, completou o número 2 da Saúde.

A previsão é feita no momento em que mais de 40 países em todo o mundo já começaram a imunizar a população contra a Covid-19.

Vacinas e plano de imunização

Atualmente, quatro vacinas estão na fase 3 de testagem em humanos no Brasil. São elas:

  • AstraZeneca + Universidade de Oxford: 70% de eficácia, com uma variação de 62% a 90%, de acordo com a dose aplicada.
  •  Coronavac: ainda sem a taxa de eficácia divulgada oficialmente.
  •  Pfizer + BioNTech: 95% de eficácia e mais de 94% eficaz em idosos acima de 65 anos, segundo dados preliminares da fase 3.
  •  Janssen: ainda sem a taxa de eficácia divulgada.
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No início do mês, o governo entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o Plano Nacional de Imunização contra a Covid-19.

O documento prevê a disponibilização de 108,3 milhões de doses para mais de 51 milhões de pessoas de grupos prioritários, divididos em quatro fases.

Apesar de não apresentar uma data para o início da vacinação, o Ministério da Saúde afirmou, em uma nota técnica que acompanhou o documento, que a previsão é vacinar esses grupos prioritários ao longo do primeiro semestre de 2021.

Veja as quatro fases preliminares de vacinação dos grupos prioritários:

Primeira fase:

  • Trabalhadores de saúde: 5.886.718 pessoas
  • Pessoas a partir de 80 anos: 4.266.553
  • Pessoas de 75 a 79 anos de idade: 3.480.532
  • Pessoas de 60 anos ou mais institucionalizadas: 198.249
  • Indígenas: 410.348
  • Número de doses estimadas (duas doses por pessoa) + 5% de perda: 29.909.040

Segunda fase:

  • Pessoas de 70 a 74 anos: 5.174.382
  • Pessoas de 65 a 69 anos: 7.081.676
  • Pessoas de 60 a 64 anos: 9.091.902
  • Número de doses estimadas (duas doses por pessoa) + 5% de perda: 44.830.716

Terceira fase:

  • Pessoas com comorbidades: 12.661.921
  • Número de doses estimadas (duas doses por pessoa) + 5% de perda: 26.590.034

Quarta fase:

  • Professores, nível básico ao superior: 2.344.373
  • Forças de segurança e salvamento: 850.496
  • Funcionários do sistema prisional: 144.451
  • Número de doses estimadas (duas doses por pessoa) + 5% de perda: 7.012.572
Bolsonaro diz que laboratórios devem procurar Anvisa

Na segunda (28/12), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que os laboratórios que deveriam ter interesse em vender vacina contra a Covid-19 para o Brasil e que nenhum deles apresentou ainda um pedido para liberação do imunizante.

“O Brasil tem 210 milhões de habitantes, um mercado consumidor de qualquer coisa enorme. Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para gente? Por que eles, então, não apresentam documentação na Anvisa? Pessoal diz que eu tenho que ir atrás. Não, não. Quem quer vender, se eu sou vendedor, eu quero apresentar”, afirmou o presidente a apoiadores.

Após a declaração de Bolsonaro, a farmacêutica Pfizer informou que a Anvisa solicitou uma série de “análises específicas” para liberação emergencial da vacina da Covid-19 no Brasil.

Segundo a Pfizer, por enquanto, a farmacêutica seguirá com o pedido por outro formato, o de submissão contínua: quando a companhia envia documentos aos poucos, enquanto faz estudos e levanta dados.

Em comunicado, a Pfizer afirmou ainda que “quer, sim, vender para o Brasil”, mas que o processo aqui “exige mais tempo”.

Está prevista, para esta quarta-feira (30/12), uma reunião entre a diretoria da Anvisa e a farmacêutica.

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