Nº 2 da Saúde: “Pfizer não pedir uso emergencial de vacina causou espécie”

Nesta segunda, farmacêutica Pfizer informou que não iria submeter à Anvisa a sua vacina contra a Covid-19 para uso emergencial no Brasil

atualizado 29/12/2020 19:41

cretário-executivo do Ministério da SaudeReprodução

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, afirmou nesta terça-feira (29/12) que “causou espécie” o comunicado da farmacêutica Pfizer de que não irá submeter à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a sua vacina contra a Covid-19, desenvolvida em parceria com a alemã BioNTech, para uso emergencial no Brasil.

De acordo com o secretário, as solicitações feitas pela Anvisa são as mesmas feitas pelo FDA, órgão dos Estados Unidos, para o uso emergencial.

“Nos causou espécie um pronunciamento de determinado laboratório, ao esclarecer que estava em dificuldades pela grande quantidade de solicitações da Anvisa. Uma vez que os aspectos solicitados pela Anvisa para uso emergencial são os mesmos solicitados pelo FDA nos Estados Unidos. Nos causou espécie uma vez que esse laboratório e outros já têm conseguido autorização para uso emergencial no FDA e em outras agências pelo mundo”, afirmou o secretário durante coletiva à imprensa.

Na noite dessa segunda, a farmacêutica Pfizer comunicou que optou pelo processo de “submissão contínua” da vacina à agência, por considerá-lo “mais célere” diante das regras apontadas no Guia de Submissão para Uso Emergencial, elaborado pela Anvisa.

Vender para o Brasil

No processo de submissão contínua, os dados técnicos da vacina são encaminhados à Anvisa à medida que são gerados. Nesse caso, as empresas interessadas no registro de vacinas contra a Covid-19 não precisam ter em mãos todos os documentos reunidos para apresentá-los à agência.

Em comunicado, a Pfizer afirmou ainda que “quer, sim, vender para o Brasil”, mas que o processo aqui “exige mais tempo”.

A farmacêutica informou que chegou a realizar uma reunião com a agência brasileira no último dia 14 de dezembro. Nessa reunião, o laboratório tomou ciência das exigências do órgão e agora avaliou que “as condições estabelecidas pela agência requerem análises específicas para o Brasil, o que leva mais tempo de preparação”. Leia a íntegra da nota mais abaixo.

O comunicado da Pfizer ocorreu após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmar que os laboratórios que deveriam ter interesse em vender vacina contra a Covid-19 para o Brasil e que nenhum deles apresentou ainda um pedido para liberação do imunizante.

“O Brasil tem 210 milhões de habitantes, um mercado consumidor de qualquer coisa enorme. Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para gente? Por que eles, então, não apresentam documentação na Anvisa? Pessoal diz que eu tenho que ir atrás. Não, não. Quem quer vender, se eu sou vendedor, eu quero apresentar”, afirmou o presidente a apoiadores na segunda.

Está prevista, para esta quarta-feira (30/12), uma reunião entre a diretoria da Anvisa e a farmacêutica.

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Leia a íntegra da nota da Pfizer divulgada nessa segunda-feira (28/12)

Em relação às negociações com o governo brasileiro e à submissão de uso emergencial da vacina BNT162, desenvolvida pela Pfizer e pela BioNTech, esclarecemos:

-No dia 14 de dezembro, realizamos uma reunião com a Anvisa para esclarecer dúvidas sobre o processo de submissão para uso emergencial.

-As condições estabelecidas pela agência requerem análises específicas para o Brasil, o que leva mais tempo de preparação.

-A submissão de uso emergencial também pede detalhes do quantitativo de doses e cronograma que será utilizado no país, pontos que só poderão ser definidos na celebração do contrato definitivo.

-Tendo em vista as particularidades do Guia de Submissão para Uso Emergencial, elaborado pela Anvisa, entendemos que a submissão contínua é o processo mais célere neste momento.

-A Pfizer Brasil já submeteu à agência, pelo processo de submissão contínua, os resultados da Fase 3 dos estudos, o que significa mais um passo rumo à aprovação da vacina BNT162.

-A farmacêutica continua em negociações com o governo federal para o fornecimento de sua vacina contra a Covid-19.

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