Um quarto dos pediatras sofreu violência no trabalho, diz pesquisa

Segundo pesquisa do Datafolha encomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, 85% dos médicos dizem trabalhar em condições ruins no SUS

atualizado

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Não são só a falta de estrutura dos centros de saúde e as condições precárias de trabalho que tiram a paz e o sono de médicos brasileiros. Segundo um estudo do Datafolha encomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, a violência e a hostilidade em consultórios e salas de emergência em redes públicas e privadas também fazem parte da rotina dos profissionais da área.

Pelo menos um quarto dos profissionais ouvidos pelo instituto afirma ter sido vítima de violência nos últimos 12 meses no trabalho. O estudo foi divulgado na última quarta-feira (11/10), na abertura do Congresso Brasileiro de Pediatria, em Fortaleza.

Embora a pesquisa se debruce sobre agressões sofridas por pediatras, a presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Luciana Rodrigues Silva, acredita que o problema afete toda a classe médica. “A situação de trabalho é estressante e o volume de pacientes é muito grande. Penso que os órgãos, as associações e sociedades médicas precisam se unir e procurar uma solução”, disse.

Mulheres estão mais vulneráveis
O Datafolha ouviu 1.211 médicos, de um total de 20.124 profissionais cadastrados na SBP. Além de traçar um cenário geral sobre as condições de trabalho, o estudo traz ainda informações sobre a distribuição da violência no país e o perfil dos especialistas.

Embora a maior parte dos pediatras esteja concentrada na região Sudeste, por exemplo (54%), a maioria das agressões é denunciada na Região Norte (26%).  As mulheres formam a maior parte das vítimas: 24% das pediatras já foram agredidas física ou verbalmente no trabalho.

A mulher, como sempre, é mais vulnerável. Com os dados em mãos, pretendemos fazer uma campanha pelo empoderamento da médica pediatra

Luciana Rodrigues Silva, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria

O instituto pediu aos profissionais ainda que avaliassem a qualidade do ambiente de trabalho. Entre os médicos que atendem pelo SUS, 85% consideram as unidades ruins (35%), regulares (35%) ou péssimas (15%). A piores avaliações foram para os centros de saúde do Nordeste, enquanto as melhores, segundo a visão dos médicos, estão no Sudeste, sobretudo em cidades do interior.

DF tem 3% dos pediatras do Brasil
Segundo a pesquisa, entre os mais de 20 mil pediatras membros da SBP, a grande maioria – 54% – atende na região Sudeste, sendo 32% deles apenas em São Paulo. Sul e Nordeste têm 16% dos profissionais cada um e a região Norte tem a menor proporção de profissionais: 5%.

O Centro-Oeste, incluindo o DF, tem apenas 7%, sendo só 3% na capital. O percentual de Brasília equivale a pouco mais de 600 médicos. A maioria deles (53%) se divide entre atendimentos no SUS, por planos de saúde e consultas particulares. Ainda de acordo com o estudo, 21% atendem exclusivamente pelo sistema público e 22% apenas na rede privada de saúde.

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