ONU indica aumento de 21% no número de infecções pelo HIV no Brasil

Estudo afirma que, globalmente, cerca de 1,7 milhão de pessoas foram infectadas pelo vírus em 2018

iStockiStock

atualizado 16/07/2019 23:24

O número de infecções de pessoas pelo vírus HIV no Brasil cresceu 21% nos últimos oito anos. Os dados brasileiros vão na contramão dos números globais, que tiveram 16% de queda no contágio do vírus causador da aids entre 2010 e 2018. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (16/07/2019) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas, que trabalha exclusivamente sobre o tema, o UNAIDS.

O relatório Communities at the centre (Comunidades no centro, na tradução livre para o português) foi lançado em Genebra, na Suíça, e em Eshowe, na África do Sul. Na América do Sul, Brasil, Chile e Bolívia acenderam a luz amarela quando o assunto é o número de novas infecções.

A preocupação é que, apesar dos esforços desenvolvidos, como métodos de prevenção combinada, esse número continua crescendo entre grupos específicos, como gays, transexuais, profissionais do sexo e homens detidos no sistema prisional brasileiro. Sem o Brasil nessa tabela, a América Latina teria registrado uma queda de 5% nas ocorrências. Com a presença do maior país sul-americano, a alta contabilizada foi de 7%.

O relatório mostra que menos de 50% das populações-chave foram alcançadas por serviços de prevenção combinada do HIV em mais da metade dos países que reportaram seus números ao UNAIDS. Isso destaca que as populações-chave continuam sendo marginalizadas e deixadas para trás na resposta ao vírus.

O estudo inclui avanços para que se tenha, até 2020, 90% das pessoas com HIV devidamente diagnosticadas, 90% delas realizando tratamento com antirretrovirais e, deste grupo, 90% com carga viral indetectável.

No mundo, cerca de 1,7 milhão de pessoas foram infectadas pelo vírus em 2018 – já contabilizando a redução de 16% em relação a 2010. O documento revela, ainda, que a queda foi impulsionada principalmente por progressos no leste e no sul da África.

“A epidemia do HIV pôs em foco muitas falhas da sociedade. Onde há desigualdades, desequilíbrios de poder, violência, marginalização, tabus, estigma e discriminação, o HIV toma conta”, avalia a diretora do UNAIDS, Gunilla Carlsson.

Apesar do progresso na redução de novas infecções por HIV entre mulheres jovens, as infecções ainda são 60% mais altas do que entre homens jovens da mesma idade. Programas para mulheres jovens precisam ser expandidos, segundo especialistas da organização.

Em 2018, mais de 300.000 pessoas em todo o mundo tomaram a profilaxia pré-exposição (PrEP) pelo menos uma vez, à medida que mais países adotam a alternativa – que consiste em usar o medicamento antirretroviral a fim de evitar que o vírus se instale no organismo – aliada ao uso de preservativo, o número de infecções tende a cair.

Últimas notícias