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Brasil

Saiba quais são os próximos passos da PEC do fim da escala 6x1

Depois de ser aprovada pela CCJ, redução da jornada de trabalho deve ser analisada por uma comissão especial antes se seguir para o plenário

23/04/2026 16:28
HUGO BARRETO/METRÓPOLES @hugobarretophoto
Dia do Trabalhador tem manifestações em todo Brasil pelo fim da 6x1

Após ser aprovada por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados na quarta-feira (22/4), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 aguarda que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), crie uma comissão especial para tratar do mérito.

A apreciação na CCJ é o primeiro passo da tramitação. Nessa etapa, os deputados discutiram sobre a admissibilidade da proposta, ou seja, se é constitucional ou não. O relator, Paulo Azi (União Brasil-BA), votou pela aprovação da PEC.

A iniciativa avalizada pela CCJ deriva de duas PECS: a primeira, PEC nº 221/2019, foi apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A ela foi apensada a PEC nº 8/2025, da autoria de Erika Hilton (Psol-SP). A proposta da psolista ganhou força no ano passado, após o movimento Vida Além do Trabalho (VAT) reunir 800 mil assinaturas pelo fim da escala 6×1.

Este ano, a redução da jornada passou a ser uma bandeira do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aposta no fim da escala 6×1 como uma das prioridades para o ano eleitoral de 2026.

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Para tentar acelerar a tramitação da pauta, o Palácio do Planalto enviou, em 14 de abril, um projeto de lei que também trata do tema, esta, porém, limitada à redução da carga para 40 horas semanais com dois dias de descanso remunerado. Motta tem se mostrado resistente ao projeto e quer avançar na pauta no formato original, que é a PEC.

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Por se tratar de uma emenda constitucional, a análise sobre o conteúdo da proposta cabe a uma comissão especial. Nessa etapa, os integrantes podem mudar a proposta original e estabelecer parâmetros para a tranisição das novas regras trabalhistas. O colegiado tem um prazo de até 40 sessões do plenário da Câmara para apresentar um relatório.


O que diz a proposta

  • Carga de trabalho fixada em até 8 horas diárias;
  • Teto de 36 horas semanais; e
  • Fica facultada a compensação de horários e a redução de jornada.

Até o momento, Motta não bateu o martelo sobre quem será o relator ou quem irá presidir o colegiado. Há um favoritismo para que a relatoria fique com Paulo Azi, mas outros partidos pleiteiam o cargo. O presidente da Câmara, por outro lado, disse que a instalação da comissão se dará já na próxima semana.

Se o parecer final da comissão especial for aprovada, ela segue para o plenário da Câmara, onde precisa ser votada por um quórum qualificado, ou seja, 3/5 do total de deputados, o que equivale a 308 votos. A PEC ainda precisa passar por dois turnos de votação. Motta pretende levar a proposta ao plenário ainda em maio.

Depois, a PEC ainda precisa passar pelo Senado Federal. Se durante a tramitação, a Casa Alta não fixer alterações na proposta que se originou na Câmara, segue direto para promulgação pelo presidente do Congresso, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Se os senadores fizerem mudanças, essas precisam ser referendadas pelos deputados antes de ir à promulgação.