Saiba como funcionava desvio de verba de cestas básicas no Tocantins
PF investiga a compra de 1,6 milhão de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19 pelo estado. Contratos custaram R$ 5 milhões

As investigações acerca dos contratos do governo do Tocantins, iniciados há pelo menos dois anos e agora apurados pela Polícia Federal, envolvem a compra pelo estado de cerca de 1,6 milhão de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19. A suspeita é de que há desvio do dinheiro direcionado à medida de assistência social: os contratos, que chegavam a quase R$ 5 milhões, foram pagos, mas nem todas as cestas foram entregues à população.
O Metrópoles apurou que o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), foi alvo de um mandado de busca e apreensão da PF. Também são alvo da operação a primeira-dama, Karynne Sotero, os filhos do governador, o deputado Léo Barbosa (Republicanos) e Rérison Castro.
Os inquéritos indicaram a existência de um esquema montado entre 2020 e 2021 que se aproveitou do estado de emergência em saúde pública e assistência social. Na época, as compras de alimentos e aluguel de caminhões que fizeram a distribuição das cestas básicas em todo o Tocantins foram realizadas sem licitação, considerando o decreto de emergência estadual.
Investigações
Antes de o caso se tornar responsabilidade da PF, em abril de 2022, a Polícia Civil (PC) do Tocantins cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em sedes de empresas e nas residências de suspeitos de integrar a organização criminosa. À época, a corporação apurou o esquema na Secretaria de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social do Tocantins (Setas), órgão encarregado de contratar as empresas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO crime consistia na contratação de empresas previamente selecionadas para fornecer cestas básicas. Elas recebiam o valor total contratado, mas entregavam apenas parte “do quantitativo acordado”.
Na época, o prejuízo aos cofres públicos foi estimado em R$ 4.951.478,78, segundo a PC. Só em 2020, foram dois contratos de distribuição de cestas básicas desenvolvidos pelo governo com recursos próprios, além de aquisições feitas por meio de emendas parlamentares.
Em 2023, o inquérito que apurava o desvio de verbas públicas foi redirecionado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), após alusão ao nome do governador Wanderlei Barbosa no documento. Nesta quarta-feira (21/8), agentes federais cumprem mandados de busca e apreensão em endereços do governador.
Contratos
Em tese, os contratos foram feitos durante o governo de Mauro Carlesse (Agir), que tinha Wanderlei Barbosa (Republicanos) como vice-governador. Em 2022, Wanderlei assumiu o cargo de governador do estado após o antigo gestor passar por um processo de impeachment. As cestas, supostamente, ainda estavam sendo entregues. Para a Justiça, os alimentos foram oferecidos à população no ano eleitoral.
Operação PF
Nesta quarta-feira (21/8), a Polícia Federal cumpre 42 mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares patrimoniais, sendo o principal alvo da operação Wanderlei Barbosa (Republicanos).
Entre outros investigados estão:
- Karynne Sotero, primeira-dama, que atualmente é secretária extraordinária de Participações Sociais;
- Léo Barbosa, filho de Wanderlei Barbosa, que é deputado estadual desde 2019;
- Rérison Castro, filho de Wanderlei Barbosa, que atualmente é superintendente do Sebrae Tocantins, mas foi secretário no governo do Tocantins entre 2019 e 2022.



