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Brasil

RS: litoral registra 100 mil moradores temporários fugindo da enchente

Apesar do frio, 70 imóveis foram locados temporariamente em apenas uma das imobiliárias na praia de Capão da Canoa

15/05/2024 02:00, atualizado 15/05/2024 07:27
IGO ESTRELA/METRÓPOLES @igoestrela
Situação de Canoas após as tempestades no Rio Grande do Sul RS - Metrópoles

Porto Alegre – A busca de um lugar seguro para se abrigar durante as enchentes que assolam o Rio Grande do Sul levou a uma alta procura por aluguel temporário nas praias gaúchas, embora esteja cada vez mais frio na região. Apenas entre as cidades praianas de Osório e Capão da Canoa, no litoral norte gaúcho, estima-se um aumento de 100 mil novos moradores temporários. Os dados são da Associação dos Corretores de Imóveis de Capão da Canoa.

Atilar Gilberto Junior, conselheiro da entidade e sócio-proprietário de uma imobiliária da região, diz que a forte procura tem abrangido períodos entre 15 e 20 dias. Além da servir de abrigo temporário para pessoas que perderam suas casas nas enchentes, o litoral serve de refúgio para veranistas, conforte já mostrou o Metrópoles.

“A praia está lotada. Pelos números que até o momento chegam às nossas mãos, estamos com metade da capacidade esgotada. E a gente acredita que assim permanecerá por pelo menos 15 dias”, explica o conselheiro.

Sem o apelo turístico de cidades como Gramado ou Canela, na Serra Gaúcha, o aluguel de temporada no litoral no estado costuma ser inexistente na temporada de inverno. Com a calamidade, porém, a nova onda de busca por aluguéis já ocupou praticamente 50% da disponibilidade de imóveis, geralmente vazios nesta época do ano.

Só na Silva Santos Consultoria imobiliária foram 70 imóveis – uma média de 10 por dia. Antes, só havia movimento em feriados. Proprietário do local, Higor da Silva Santos diz que, embora a prefeitura ainda não tenha liberado o levantamento oficial, os números podem ser apurados de acordo com uma projeção aproximada, que leva em conta a quantidade de lixo gerado e água consumida em Capão da Canoa.

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“O tráfego de pessoas por aqui está igual ao do verão. Aqui parece que estamos em uma bolha, tudo funcionando 100%. Tem sol, o pessoal sai para jantar à noite, passeia na praia, vida que segue”, relata.

Apesar do boom imobiliário, Santos relata que o momento é de tristeza e que o setor tem feito o possível para acolher quem chega. Como forma de ajudar, muitos proprietários têm reduzido os preços dos aluguéis. Valores de diárias que costumavam chegar a R$ 1 mil caíram para R$ 300 a R$ 400.

“Somos procurados por pessoas que ficaram sem água na capital. Há muitas famílias cujos filhos estão sem escola. A gente sabe que o resto do estado está com essa dificuldade e nos sentimos úteis em poder acolher. Quem quiser vir para cá pode vir. Temos espaço”, diz.

O tipo de imóvel mais buscado, segundo ele, são apartamentos pequenos, de um ou dois dormitórios, com internet. Há situações em que se reúnem duas ou três famílias juntas no mesmo imóvel.

“As pessoas não estão de férias, estão vindo para fugir de problemas maiores e seguir trabalhando. Ninguém sabe ao certo quanto tempo vai durar essa situação transitória”, relata.

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