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Brasil

Renan Santos critica Flávio por liderar oposição à distância dos EUA: “EaD”

ex-candidato à Presidência diz que senador deveria enfrentar o cenário político no Brasil e afirma que Trump pode abandonar o aliado

28/10/2026 19:02
LUIS NOVA/METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Renan Santos (Missão)

O ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) criticou, nesta quarta-feira (28/10), a decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) de liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos. Segundo Renan, a iniciativa não contribui para o país e representa uma tentativa de enfrentar o governo Lula à distância.

“Eu sou oposição natural ao governo Lula, mas o Brasil não ganha em nada com esta oposição EaD sendo feita lá dos Estados Unidos para atender no fundo ao interesse americano aqui. Eu estou aqui, vou lutar daqui e vou pagar as consequências das minhas ações”, concluiu.

Em carta divulgada após chegar a Miami, Flávio se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, alegou fraude eleitoral e afirmou estar em exílio. O senador também agradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump, e ao povo dos Estados Unidos, a quem chamou de irmãos.

Renan, por sua vez, afirmou que quem acredita em uma causa deve defendê-la no próprio país.

“Ele optou por não lutar aqui, e a verdade precisa ser dita: quando você acredita em algo, você luta na tua terra. Ele não quis lutar, a nossa terra não era boa o suficiente, ele vai lutar direto da Flórida”, declarou.

Renan compara Flávio a Juan Guaidó

O ex-candidato comparou a iniciativa do senador à atuação de Juan Guaidó, político venezuelano que se declarou presidente interino da Venezuela em 2019, em oposição ao governo de Nicolás Maduro. Para Renan, porém, os cenários são diferentes, já que o PL continua funcionando normalmente no Brasil.

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“Ele está tentando imitar o que o Juan Guaidó fez em protesto contra o regime do Maduro, sendo ele próprio parte de um regime que está de pé. O PL no Brasil está aqui de pé, estão operando, recebendo salário, está tudo normal por aqui. As eleições foram reconhecidas pela maior parte dos países”, afirmou.

Renan também apontou uma contradição nas críticas de Flávio ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula. Segundo ele, o senador apoiou a indicação de Zanin durante a sabatina no Senado.

“O Zanin, que de fato foi advogado do Lula, contou com o beneplácito do próprio Flávio quando foi sabatinado no Congresso. Flávio foi a favor do cara e agora reclama?”, questionou.

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Críticas à relação com Trump

O ex-candidato também colocou em dúvida a duração do apoio de Donald Trump a Flávio. Para ele, o presidente norte-americano prioriza interesses comerciais e pode se afastar do senador caso ele passe a representar um problema para os negócios dos Estados Unidos no Brasil.

“Trump não tem amigos, tem parceiros de negócios. Se o Flávio soar como um perdedor ou como um problema para os negócios do Trump no Brasil, ele vai se livrar dele rapidinho”, disse.

Apesar das críticas, Renan afirmou não acreditar que a iniciativa de Flávio represente um risco à democracia brasileira. O ex-candidato ressaltou, porém, que considera ineficaz a atuação política do senador a partir do exterior.

Resultado nas urnas

Flávio saiu derrotado do segundo turno das eleições, com 48,21% dos votos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 51,79%. O resultado do pleito foi reconhecido pela oposição, inclusive pelo Partido Liberal (PL) e pelo candidato a vice na chapa de Flávio, deputado Alfredo Gaspar.

O pleito foi reconhecido, também, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por lideranças da comunidade internacional.