Relator da MP do IOF acusa Tarcísio, União e PP de “boicote”

O deputado Zarattini (PT-SP) afirmou ao Metrópoles que postura para barrar medida provisória é “irresponsável” com as contas públicas

atualizado

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Relator da MP 1303 2025, deputado Carlos Zarattini PT SP metropoles 2
1 de 1 Relator da MP 1303 2025, deputado Carlos Zarattini PT SP metropoles 2 - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP), relator da chamada MP do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), classificou como “irresponsável” a atitude do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) junto a caciques do Centrão para barrar a Medida Provisória, que precisa ser votada nesta quarta-feira (8/10) para não caducar uma série de novas arrecadações para o governo federal.

Ao Metrópoles. o deputado afirmou que houve “quebra de acordo”, e disse que o boicote é uma antecipação da disputa eleitoral de 2026.

“Quebra de acordo. A disputa não é mais técnica, é eleitoral. Nesse jogo entrou Tarcísio, [e os respectivos presidentes do PP e União Brasil] Ciro Nogueira e Antônio Rueda. Estão querendo prejudicar o governo pela campanha de 2026″, afirmou Zarattini.

Após a publicação da reportagem, Tarcísio rebateu: “Estou totalmente focado nos desafios e nas demandas de São Paulo. Temos muitas ações e prioridades em andamento aqui no estado, e essa questão cabe ao Congresso”. Nos bastidores, porém, deputados citam que o governador tem ligado para parlamentares em busca de votos contrários à MP.

Juntos, o partido do governador e os dois dois expoentes do Centrão, que tentam se firmar como oposição, somam 154 deputados.

Apesar das dificuldades, Zarattini defende que a MP seja pautada para constranger parlamentares que votarem contrariamente.

“Queremos que vote [mesmo com derrota iminente], para saber quem votou a favor ou contra. Vai ter repercussão negativa, não vamos deixar barato. Vai ser disputa política braba. A começar por Tarcísio, que ao invés de governar São Paulo, gasta tempo para prejudicar o governo federal”, argumentou o parlamentar.

A MP do IOF foi enviada pelo governo federal para compensar um recuo no aumento do Imposto sobre Operações Financeiras. Ela prevê a taxação das bets, de fundos de investimento hoje isentos e mais. Tem sido chamada pelo governo de “taxação BBB”, porque visa “bancos, bets e bilionários”. A medida prevê uma arrecadação de quase R$ 35 bilhões aos cofres públicos, mas no processo de negociação, esse montante caiu para cerca de R$ 17 bilhões.

O governo Lula defende que a medida é necessária para atingir a meta fiscal, sob risco de não haver dinheiro para manutenção de programas considerados essenciais. “Aprovaram ontem a PEC para aposentadoria especial dos agentes de Saúde. Vai custar bilhões. Nisso votam a favor para fazer populismo, eu votei a favor porque acho justo, mas não vai ter recurso do governo, negam recurso. Irresponsabilidade total”, disse o relator.

O petista, porém, afirmou que ainda há esperança para pautar a MP. “Todo mundo está conversando. [O presidente da Câmara, Hugo] Motta (Republicanos-PB) tem tido um papel muito correto, assim como [o presidente do Senado, Davi] Alcolumbre (União-AP), o problema é a atuação do Tarcísio e esses dois presidentes de partido”, finalizou.

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