Recuperação de popularidade de Lula corre riscos com CPMI do INSS
Governo teve a primeira derrota na CPMI do INSS depois que a oposição conseguiu ocupar a presidência e a relatoria da comissão
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem registrando sinais de recuperação na popularidade eleitoral, ainda que a desaprovação esteja maior do que a aprovação. No entanto, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode colocar um freio na melhora da avaliação do titular do Palácio do Planalto.
A primeira derrota do governo Lula na CPMI do INSS aconteceu ainda na instalação, quando a oposição conseguiu eleger o presidente e o relator da comissão. Depois do desgaste, o presidente Lula se reuniu com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, convocou os líderes da base no Congresso Nacional para discutir o tema.
Farra do INSS
- O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023.
- O portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
- As reportagens levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
- Após pedidos da Advocacia-Geral da União (AGU), a Justiça Federal determinou novos bloqueios de bens das empresas e dos sócios investigados por suspeitas de fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Agora, o valor total bloqueado é de R$ 119 milhões.
Para presidir o grupo, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), havia indicado o senador Omar Aziz (MDB-AM), no entanto, foi eleito para o cargo o senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Já na relatoria, Hugo Motta propôs o nome do deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) para relatar a CPMI. Apesar disso, o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) foi designado como relator da CPMI.
A farra do INSS, revelada pelo Metrópoles, é um dos maiores escândalos do terceiro governo Lula. Segundo as investigações, houve descontos fraudulentos nos benefícios de milhões de segurados.
Uma pesquisa Genial/Quaest, divulgada em junho, mostrou que 31% dos entrevistados consideram o governo Lula responsável pelo desvio do dinheiro descontado de aposentadorias e pensões.
Pesquisas
A instalação da CPMI do INSS, no entanto, acontece em um momento em que o presidente Lula tem registrado uma alta na sua avaliação. Um novo levantamento Genial/Quaest, divulgado na quarta-feira (20/8), mostrou que a aprovação do governo petista atingiu o patamar de 46%.
Esse índice sobe no momento em que o petista tem adotado um tom mais duro contra as investidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil. A Casa Branca estabeleceu uma alíquota de 50% para a exportação de produtos brasileiros ao mercado norte-americano, medida essa que tem sido negociada pelo governo Lula.
No que se refere ao INSS, o petista também tem tentado minimizar os impactos na imagem do governo. Logo depois da operação da Polícia Federal (PF), o governo federal determinou o afastamento do presidente do INSS e também trocou o ministro da Previdência Social, estabelecendo prioridade para o ressarcimento do dinheiro descontado de forma ilegal.
