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Como Receita pretende atuar no Congresso após megaoperação contra PCC

Projeto de combate à sonegação e a devedores contumazes, defendido pela Receita, pode ganhar impulso após operação contra esquema do PCC

atualizado

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Divulgação/Receita Federal
Receita Federal – Operação Carbono Oculto – 005 – São Paulo – briefing da operação
1 de 1 Receita Federal – Operação Carbono Oculto – 005 – São Paulo – briefing da operação - Foto: Divulgação/Receita Federal

A repercussão da Operação Carbono Oculto, realizada nessa quinta-feira (28/8), para combater um esquema criminoso que movimentou dezenas de bilhões de reais no setor de combustíveis, com envolvimento da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), cria um ambiente favorável para a discussão de medidas de combate à sonegação fiscal e ao chamado devedor contumaz, no Congresso Nacional. Essa é uma pauta do Ministério da Fazenda, sobretudo da Receita Federal.

Durante entrevista coletiva a respeito da megaoperação, em Brasília, o auditor fiscal da Receita Federal, Cláudio Ferrer de Souza, deu um exemplo de como a figura do devedor contumaz serve ao crime organizado, citando parte da investigação da Operação Carbono Oculto:

“O grande problema é que nas empresas de fachada, devedores contumazes não pagavam nada (de impostos). Para vocês terem uma ideia, é um casal de criminosos envolvido nessa operação há mais de 8 anos. Não entregavam declaração do imposto de renda pessoa física. E esse casal, nos últimos dois anos, gastou mais de R$ 7 milhões de reais em notas que foram pagas pela fintech”, exemplificou Souza.


Entenda o esquema bilionário

  • A megaoperação deflagrada na manhã dessa quinta-feira (28/8) em oito estados mirou um complexo esquema de fraude em postos de combustíveis e fintechs que tinha núcleos comandados pelo PCC.
  • Mais de 350 pessoas e empresas estão entre os alvos da força-tarefa.
  • De acordo com a investigação, a fraude começava na importação irregular de metanol, que chega ao país pelo Porto de Paranaguá, no Paraná.
  • O produto, que era para ser entregue para empresas de química e biodiesel indicados nas notas fiscais, era desviado para postos de combustíveis.
  • Segundo a Receita Federal, cerca de mil postos de combustíveis vinculados ao grupo movimentaram R$ 52 bilhões de 2020 a 2024.
  • Os agentes tiveram como objetivo o cumprimento de mandados de prisão, busca e apreensão em oitos estados: São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Na Câmara dos Deputados, tramita o Projeto de Lei (PL) 15-2024. De autoria do próprio governo federal, o texto é visto pela Fazenda como uma oportunidade de ampliar as ferramentas de combate ao crime organizado, mirando a atuação dos devedores contumazes. Estimativa do governo é de que a medida atingiria cerca de 1 mil contribuintes com total de débitos de mais de R$ 200 bilhões. Esse quantitativo representa uma fração ínfima perante os cerca de 20 milhões de CNPJs ativos.

O valor de R$ 200 bilhões é quase seis vezes o superávit das contas públicas esperado pelo governo federal para todo o ano de 2026 (R$ 34,26 bilhões), conforme a Lei de Diretrizes Orçamentárias enviada ao Congresso.

No Senado Federal há outra proposta, o Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 125/2022 que traz na redação mecanismos para um cerco à figura do devedor contumaz. O texto é de autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e relatoria do senador Efraim Filho (União Brasil-PB). A proposta chegou a ter um requerimento de urgência aprovado em dezembro de 2024, mas a medida para acelerar a tramitação do texto acabou extinta em 18 de fevereiro deste ano.

Diante do cenário evidenciado pela operação dessa quinta, Fazenda e Receita já avaliam formas de pleitear o avanço das propostas no Congresso.

 

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Proprietários dos postos de combustíveis venderam seus estabelecimentos ao grupo criminoso e eram ameaçados de morte caso fizessem alguma cobrança
Operação carbono oculto
Operações financeiras por meio de fintechs dificultavam o rastreamento dos valores que eram transacionados
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Operações financeiras por meio de fintechs dificultavam o rastreamento dos valores que eram transacionados

Reprodução/ Globoplay
Proprietários dos postos de combustíveis venderam seus estabelecimentos ao grupo criminoso e eram ameaçados de morte caso fizessem alguma cobrança
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Proprietários dos postos de combustíveis venderam seus estabelecimentos ao grupo criminoso e eram ameaçados de morte caso fizessem alguma cobrança

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Operação carbono oculto
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Operação carbono oculto

Fintechs no alvo

Além de fechar o cerco contra os devedores contumazes, a Receita Federal acredita que pode restringir perdas tributárias e desidratar o crime organizado por meio de um arrocho na fiscalização das fintechs.

Embora, conforme a investigação, os volumes financeiros movimentados pelo PCC por meio de postos de combustíveis chamem mais atenção, a infiltração da facção no setor financeiro foi outro alerta para as autoridades.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nessa quinta que a partir desta sexta-feira (29/8), as fintechs passarão a ser enquadradas como bancos. “O que significa que as fintechs terão de cumprir rigorosamente as mesmas exigências que os grandes bancos. Isso aumenta o potencial de fiscalização da Receita”, afirmou Haddad em entrevista coletiva.

Com a decisão do ministro, algumas operações financeiras das fintechs que não eram monitoradas passarão a ser acompanhadas diretamente pela Receita Federal.

imagem colorida de Lavagem de dinheiro fintechs
Como funcionava esquema investigado pela PF

Fintechs eram usadas pelo grupo criminoso

Conforme as investigações, operações financeiras com o objetivo de ocultar patrimônio foram realizadas por meio de fintechs, em vez de bancos tradicionais, que possuem monitoramento mais rigoroso. A situação poderia ser diferente, diz a Receita, caso uma norma editada em 2024 não tivesse sido revogada.

A receita lembrou que uma onda de “fake news” resultou na revogação da Instrução Normativa nº 2.219, de 17 de setembro de 2024. A norma aumentava o rigor sobre o monitoramento das transações via Pix. No entanto, o assunto gerou repercussão negativa e perda de popularidade para o governo, resultando na revogação do texto em janeiro deste ano.

Em nota, nessa quinta, a Receita divulgou que vai publicar uma nova norma com texto específico sobre as fintechs, com quatro artigos. “No segundo artigo, vai afirmar, de maneira clara e direta, que as instituições de pagamento e de arranjos de pagamento (fintechs) sujeitam-se exatamente às mesmas obrigações das instituições financeiras tradicionais (apresentação da e-Financeira)”.

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