
Reaproximação com Alcolumbre ainda não destravou pautas de Lula
Votação relâmpago do PLP dos Combustíveis sinalizou trégua, mas Alcolumbre ainda não deu data para duas PECs que são bandeiras da campanha

A reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já começou a aparecer nas votações do Congresso. Nesta quarta-feira (12/8), o Senado aprovou, poucas horas depois da Câmara, o PLP dos Combustíveis, em uma tramitação acelerada e costurada entre governo e cúpula das duas Casas.
A reaproximação, porém, ainda não teve efeito em duas das principais prioridades do Planalto no Senado: as PECs do fim da escala 6×1 e da Segurança Pública.
A situação mais sensível para o governo é a do fim da escala 6×1, uma das principais bandeiras da campanha à reeleição.
A Câmara aprovou a proposta em dois turnos em 27 de maio. O texto reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, estabelece cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução dos salários.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA mudança seria gradual: dois meses depois da promulgação, a jornada cairia para 42 horas e, um ano depois, para 40.
Quase três meses depois da aprovação na Câmara, a PEC ainda não começou a tramitar no Senado. A proposta chegou à Casa em 28 de maio e permanece oficialmente “aguardando despacho”, ou seja, Alcolumbre ainda não definiu para onde o texto será encaminhado para iniciar análise.
Nesse período, o Senado realizou uma sessão de debates sobre o tema e Alcolumbre recebeu representantes de trabalhadores e empresários, mas a matéria não avançou para uma comissão.
A retomada do diálogo com Lula também não produziu, até agora, uma data para a proposta. Nesta quarta, Alcolumbre foi questionado sobre a votação e respondeu que “não tem calendário”.
A indefinição frustra a estratégia do Planalto de avançar com a medida ainda durante o período eleitoral.
PEC da segurança pública
A PEC da Segurança Pública enfrenta um cenário mais prolongado. Prioridade enviada pelo próprio governo ao Congresso em janeiro de 2025, foi aprovada pela Câmara em 4 de março.
A proposta amplia a integração dos órgãos de segurança, constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), reforça os fundos nacionais de segurança e penitenciário e amplia competências de forças como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.
O texto chegou ao Senado em 10 de março e, cinco meses depois, também continua “aguardando despacho” — e ainda não foi sequer distribuída para uma comissão da Casa.
Tanto a proposta da Segurança quanto a do fim da escala 6×1 dependem de uma decisão inicial do comando do Senado para começar a percorrer o rito necessário antes de uma eventual votação em plenário.
Tensão com Alcolumbre
A paralisia das duas PECs atravessou o período de maior desgaste entre Lula e Alcolumbre.
A tensão começou com a escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2025.
O presidente do Senado defendia para o posto seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), e nunca escondeu a resistência ao nome escolhido pelo Planalto. Nos bastidores, senadores relataram que Alcolumbre atuou contra a indicação.
O rompimento ficou evidente em 29 de abril, quando Messias foi rejeitado pelo plenário por 42 votos contrários e 34 favoráveis, além de uma abstenção. Para ser aprovado, precisava do apoio de pelo menos 41 dos 81 senadores.
Foi a primeira rejeição de um indicado ao Supremo pelo Senado em 132 anos e abriu uma crise entre o Planalto e o comando da Casa.
Vitória no PLP dos combustíveis
É nesse contexto que a votação do PLP dos Combustíveis ganha peso político. Lula e Alcolumbre voltaram a se reunir nesta quarta, no segundo encontro em cerca de uma semana, e aliados do senador passaram a falar em “retomada integral” do diálogo.
Horas depois, o Senado aprovou por 61 votos a 2 o PLP 114/2026, que havia passado pela Câmara no mesmo dia e permite ao governo usar receitas extraordinárias do petróleo para compensar reduções de tributos sobre combustíveis.
A velocidade não é comum para uma proposta do tipo e expôs a diferença entre as pautas sobre as quais já existe acordo e aquelas que continuam sob controle de Alcolumbre.
Assim, a reaproximação destravou um projeto de interesse do governo, mas, por enquanto, não alterou o destino das PECs do 6×1 e da Segurança.









