PT e PL antecipam campanha e intensificam ataques sobre Caso Master
Partido de Flávio Bolsonaro turbina ofensiva com posts pagos nas redes, enquanto o de Lula tem investida digital mais tímida
atualizado
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O Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Liberal (PL), legendas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, respectivamente, intensificaram, nos últimos dias, ataques mútuos nas redes sociais, antecipando o clima do que pode vir a ser a campanha eleitoral ao Palácio do Planalto.
Além dos temas que devem dominar os debates, como segurança pública e economia, o escândalo financeiro do Banco Master ganha centralidade nas investidas dos dois campos.
Do lado petista, aliados de Lula defendem uma ofensiva mais robusta para enfraquecer Flávio. A estratégia inclui explorar supostas conexões com o Centrão e milícias do Rio de Janeiro, e resgatar episódios em que o senador esteve envolvido, como o caso das “rachadinhas”, quando era deputado estadual.
Apesar da orientação partidária, as ações realizadas até agora por parlamentares e integrantes do governo não têm atingido o nível esperado pelo presidente, o que tem gerado preocupação.
Segundo interlocutores, Lula tem cobrado de aliados uma reação mais efetiva contra o senador, já que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — visto inicialmente como um adversário com poucas chances — tem crescido nas pesquisas de intenção de voto para as eleições de outubro.
A queda na aprovação do governo Lula, detectada em levantamentos recentes, também preocupa o Palácio do Planalto. Para tentar atingir a base bolsonarista e o próprio Flávio, dirigentes do PT orientaram parlamentares a concentrar críticas na oposição, especialmente no caso Master, e a associar o bolsonarismo ao esquema liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
O perfil oficial do PT no Instagram, por exemplo, tem apostado em recortes de vídeos nos quais parlamentares — na maioria deputados federais — responsabilizam a gestão de Jair Bolsonaro por uma suposta omissão do então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-chefe do Executivo, por não investigar as ações do banco à época.
Apesar disso, o perfil nacional do PT mantém atuação moderada, alternando críticas com publicações sobre ações do governo e pautas positivas para Lula. Já o perfil do partido na Câmara dos Deputados tem dado maior visibilidade ao tema, com vídeos produzidos diretamente para a página e montagens que apelidam o escândalo de “Bolso Master”.
As publicações também destacam que Fabiano Zettel, cunhado e “número 2” de Vorcaro, foi o maior doador como pessoa física das campanhas de Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), em 2022, com doações de R$ 3 milhões e R$ 2 milhões, respectivamente.
Além de parlamentares, ministros mais combativos, como Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), também passaram a intensificar ataques a Flávio Bolsonaro e família, a pedido do Planalto.
“Guerra” de narrativas
- PT e PL intensificaram ataques nas redes e antecipam o tom da disputa presidencial, que tem o Caso Master como um dos focos.
- Lula cobra ofensiva mais eficaz contra Flávio Bolsonaro, que cresce nas pesquisas e preocupa o Planalto.
- Petistas tentam vincular o bolsonarismo ao escândalo financeiro, enquanto a oposição insiste em desgastar o governo, ao relacionar Lulinha, o filho do presidente, com as fraudes dos descontos indevidos no INSS.
PL aposta em IA
A estratégia do PL, por sua vez, difere da adotada pelo PT. O partido comandado por Valdemar Costa Neto tem investido em imagens e vídeos gerados por inteligência artificial (IA) que associam a gestão petista a Daniel Vorcaro.
A sigla também aposta em publicações que apontam suposto envolvimento de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, com o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Em um vídeo publicado em 9 de março, o partido associa Lulinha, outros familiares do presidente e integrantes do governo ao Careca do INSS e a Vorcaro, denominando o grupo como “A grande quadrilha”, em referência ao seriado brasileiro “A grande família”.
A publicação teve ampla repercussão e levou a federação formada por PT, PV e PCdoB a apresentar representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pedindo a remoção do conteúdo e a aplicação de multa de R$ 30 mil.
Impulsionamento de posts
Ao contrário do PT, que não impulsionou publicações nos últimos 90 dias, levantamento do Metrópoles aponta que, entre 25 de dezembro e 24 de março, o PL investiu R$ 131,4 mil em 34 anúncios na Meta (Instagram e Facebook).
Os anúncios mais recentes destacam o desempenho de Flávio em pesquisas e abordam a saúde de Jair Bolsonaro. Entre janeiro e fevereiro, as peças foram mais focadas em críticas ao governo Lula.
Uma das propagandas, impulsionada entre 24 de fevereiro e 7 de março, trata de uma reunião entre o presidente e o dono do Banco Master. O encontro ocorreu em dezembro de 2024, no Palácio do Planalto, e foi articulado pelo ex-ministro Guido Mantega.
O post traz trecho de entrevista em que Lula confirma ter recebido Vorcaro no Planalto. Na legenda, o perfil do partido afirma: “Quando o próprio governo admite esse tipo de conversa com um banqueiro investigado, isso fica no mínimo curioso e suspeito. Por que esse assunto foi tratado dentro do Planalto? Se é tudo tão transparente, por que não veio a público desde o início e com registros claros?”.
Outro conteúdo impulsionado, entre 20 e 27 de fevereiro, divulga reportagem da coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles, que relaciona mensagem do Careca do INSS citando o atual chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do gabinete pessoal de Lula, Swedenberger Barbosa.
Em 2024, o lobista tentou firmar acordo, por meio da empresa World Cannabis, com o Ministério da Saúde para o fornecimento, sem licitação, de medicamentos à base de canabidiol ao Sistema Único de Saúde (SUS). À época, Swedenberger era secretário-executivo da pasta. A reportagem aponta que o Careca visitou o ministério ao menos cinco vezes durante as negociações.
“Mensagens cifradas, reuniões repetidas e relações pessoais cruzando o interesse público. Um esquema que se desenha longe da transparência, mas o cerco está se fechando, os rastros aparecem e a narrativa oficial já não sustenta”, afirma o post impulsionado.












