PSol articula indicação do candidato da esquerda ao Senado em SP

PT, PSol, Rede, PCdoB e PV negociam para lançar candidatura única para senador. Decisão só deve ser tomada na segunda quinzena de maio

atualizado 27/04/2022 13:19

Senado FederalRoque de Sá/Agência Senado

São Paulo – Alguns partidos da direita já se movimentam para definir seu candidato ao Senado em São Paulo, enquanto nenhuma sigla da esquerda anunciou o nome para este posto. As negociações até agora caminham para dar ao PSol a prerrogativa de indicar o postulante a senador pela esquerda – que busca se unir para lançar uma única figura.

Fontes ouvidas pelo Metrópoles afirmam que não há nome definido ainda, mas está quase certo que a legenda ficará com a decisão. O partido deve se unir à Rede por meio de federação, enquanto o PT, o PCdoB e o PV devem compor a outra federação de esquerda.

Ao fim, tanto a vaga de vice quanto a do Senado dependerá de uma convergência dessas cinco legendas. A partir da federação, o PSol e a Rede definirão se irão apoiar o nome de Fernando Haddad (PT) para o governo de São Paulo. Para isso, há algumas condições: a participação na construção do programa de governo e a indicação do candidato à vice-governador ou ao Senado.

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A posição de vice ainda está indefinida e também depende das decisões das federações de outros partidos de esquerda. Nas eleições deste ano, será eleito apenas um senador por estado.

Os atuais deputados federais da bancada paulista do PSol na Câmara não estão descartados. A definição só deve vir por volta da segunda quinzena de maio. Isso porque tanto Rede quanto PSol ainda precisam votar a federação em definitivo, para depois determinar o papel de cada um nas eleições paulistas. Além disso, atualmente a prioridade é definir os postulantes a deputado (nas esferas federal e estadual).

Uma das principais figuras do PSol paulista, o líder do MTST Guilherme Boulos, sairá como candidato a deputado federal com a chance de ser um grande puxador de votos e aumentar a bancada do partido na Câmara.

A ideia inicial era que o PT indicasse o candidato ao governo estadual (no caso, Haddad) e que o PSB ficasse com a vaga do Senado, com Márcio França, porém não houve acordo nesse sentido: o socialista se mantém como pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes, e por isso os partidos devem ter palanques distintos em São Paulo.

Agora, a negociação envolve as outras siglas da esquerda. No campo nacional, as legendas andarão juntas, já que Geraldo Alckmin (PSB) é vice de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa à presidência da República.

Chapa para vice

Haddad ainda não escolheu quem será seu vice, e preferencialmente gostaria de uma mulher. Em 2012, quando foi eleito prefeito de São Paulo, o petista tinha como vice Nádia Campeão. Na campanha de 2018 para presidência da República, sua vice foi Manuela D’Ávila (PCdoB).

A ex-ministra Marina Silva (Rede) seria a “vice dos sonhos” de acordo com pessoas próximas do petista. Porém, elas admitem que é muito difícil concretizar esse desejo.

Há uma mágoa de Marina com o PT desde 2014, quando ela foi candidata à presidência da República e sofreu uma campanha difamatória vinda tanto dos petistas quanto dos tucanos. Em 2016, posicionou-se a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).

O presidente estadual da Rede, Giovanni Mockus, afirma que isso não deve ocorrer. “Tem muita especulação sobre ela ser vice do Haddad ou candidata ao Senado, mas são duas hipóteses que eu afasto completamente. Mas a Marina já foi presidenciável três vezes, é uma personalidade com uma envergadura política que a permitiria ser candidata ao que ela quisesse, inclusive presidente da República, então é natural o nome dela aparecer nessas conversas”.

Recentemente, Marina trocou seu domicílio eleitoral do Acre para São Paulo, e estuda postular uma vaga de deputada federal pela Rede no estado. A legenda acredita que é “fundamental” que ela esteja no Congresso a partir do ano que vem, principalmente por conta de sua atuação na área ambiental.

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