Projeto restaura 50 hectares e fortalece comunidades na Amazônia

Coleta e venda de sementes ligam a restauração da floresta à geração de renda na Amazônia

atualizado

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Matheus Rezende/ ISA/ Redário
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1 de 1 muvuca-isa - Foto: Matheus Rezende/ ISA/ Redário

Na Amazônia brasileira, entre os rios Xingu e Iriri, o projeto Terra do Meio recupera áreas degradadas por ocupações ilegais. A iniciativa é executada pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), no âmbito do Projeto Bacia Amazônica, em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Instituto Socioambiental (ISA).

Com o projeto, 50 hectares já foram restaurados por meio do plantio de cerca de 175 mil árvores nativas. A expectativa é de que, em 10 anos, a cobertura florestal esteja totalmente estabelecida no local.

O projeto integra conservação ambiental, desenvolvimento local e proteção dos recursos hídricos. A iniciativa também pode ser replicada em outros países da região. Nesse contexto, a OTCA usa a ação para fortalecer a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos (GIRH) na bacia amazônica, presente em oito países membros.

A iniciativa começou há três anos, com a restauração de uma área inicial de 25 hectares na Reserva Extrativista do Rio Xingu, próxima ao leito do rio. Ao todo, 25 moradores participaram do plantio.

Os participantes coletaram mais de 30 variedades de sementes de árvores nativas. Misturadas a sementes de leguminosas e gramíneas, elas formaram a “muvuca”.

A técnica melhora a nutrição do solo e acelera a recomposição da mata ao combinar espécies com diferentes ciclos de vida.

Além do impacto ambiental, o projeto também movimenta a economia local. Moradores passaram a coletar e vender sementes para outros projetos de restauração na Amazônia.

A atividade se organiza por meio da Rede Terra do Meio, que reúne produção, beneficiamento e venda sem intermediários. No início de cada ano, a demanda é definida com os compradores, e as famílias organizam a coleta conforme o ciclo de cada espécie.

Hoje, 312 pessoas participam da cadeia. Mais da metade são mulheres.

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A ribeirinha Marinalva Ribeiro da Silva encontrou na atividade coletora uma forma de garantir uma nova fonte de renda
Rio Xingu
Sinha é coletor e morador da comunidade Morro Grande
área restaurada na Comunidade Gabiroto
Sinha Kuruaya
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Sinha Kuruaya

Giovana Alves
A ribeirinha Marinalva Ribeiro da Silva encontrou na atividade coletora uma forma de garantir uma nova fonte de renda
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A ribeirinha Marinalva Ribeiro da Silva encontrou na atividade coletora uma forma de garantir uma nova fonte de renda

Nina Rodrigues/OTCA
Rio Xingu
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Rio Xingu

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Sinha é coletor e morador da comunidade Morro Grande
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Sinha é coletor e morador da comunidade Morro Grande

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área restaurada na Comunidade Gabiroto
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área restaurada na Comunidade Gabiroto

Giovana Alves/ Metrópoles

A ribeirinha Marinalva Ribeiro da Silva encontrou na coleta uma nova fonte de renda, que se soma à pesca e permite mais tempo com a família.

“Saio de manhã e volto no meio da tarde. Depois fico com minhas filhas. Também ajuda no sustento dos meus filhos que estudam em Altamira”, diz.

Depois da coleta, as sementes passam por centros comunitários, onde são pesadas, organizadas e vendidas. O pagamento é direto.

O casal Sinha Kuruaya e Alcione Freitas, da comunidade Morro Grande, chegou a obter R$ 6 mil em 2025 com a atividade.

“A gente está tendo renda sem acabar com a floresta”, afirma Alcione.

Resultados

Com aportes do Projeto Bacia Amazônica e parceiros, a cadeia movimentou cerca de R$ 300 mil nos últimos anos. A venda de sementes para restauração na Amazônia garante hoje a sustentabilidade do projeto, promovendo renda local sem a necessidade de intermediários. Em 2025, a rede alcançou a marca de 6 mil quilos de sementes comercializadas.

O presidente da Rede Terra do Meio e morador da Reserva Extrativista do Rio Iriri, Francisco de Assis Oliveira, afirma que a iniciativa “protege a floresta, gera renda e permite que as pessoas permaneçam no território”.

“É um trabalho em que se ganha sem destruir, preservando o equilíbrio da floresta e contribuindo para a continuidade da vida que ela sustenta”, conclui.

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