Primeira criança acolhida por Flordelis nunca foi adotada oficialmente

Rayane Oliveira foi levada para a casa da deputada com poucos dias de vida e ficou sob os cuidados da filha biológica da parlamentar

Binho Dutra/DivulgaçãoBinho Dutra/Divulgação

atualizado 19/09/2019 17:55

A primeira criança acolhida pela deputada federal Flordelis dos Santos (PSD), em 1993, nunca foi adotada oficialmente. Rayane Oliveira foi levada para a casa da então cantora gospel com poucos dias de vida, e ficou sob os cuidados da filha biológica de Flordelis, Simone dos Santos. Segundo informações do jornal Extra, não há nenhum processo na Justiça sobre a adoção da menina.

Rayane foi acusada por um dos tios, Lucas Cézar dos Santos, filho da parlamentar e réu no processo que apura o homicídio, de ter pedido a ele que matasse o marido da mãe.

De acordo com a biografia de Flordelis, a jovem foi a primeira criança acolhida pela parlamentar. A deputada conta que encontrou Rayane abandonada em um lixão na Central do Brasil e a levou para a sua casa junto com a mãe biológica dela, identificada como Léa.  Semanas depois, Léa voltou para a rua, deixando a criança na casa. A menina ficou sob os cuidados da filha biológica de Flordelis, Simone, com 13 anos à época.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que a diferença de idade entre quem adota e quem é adotado precisa ser de, no mínimo, 16 anos. A de Simone e Rayane é de apenas 13. A menina foi registrada como filha de Simone e de André Luiz de Oliveira, filho afetivo de Flordelis. André e Simone foram casados, mas se separaram há cerca de 10 anos. Pela previsão do ECA, André Luiz também não poderia adotar Rayane, pois a diferença de idade entre eles é de 15 anos.

Por meio de sua assessoria, a deputada Flordelis enviou a seguinte nota:

“A história da Rayane é verdadeira. Ela foi encontrada em terreno baldio quando faltavam dias para Simone completar 14 anos. Simone passou realmente a me ajudar a cuidar dela em fevereiro de 1994, quando outros bebês chegaram porque Rayane tinha crises convulsivas e precisava de uma atenção especial. Simone já estava super agarrada a menina, então ela era a pessoa que cuidava especialmente dela. O registro da Rayane foi bem depois. Não sei precisar o ano, porque foram tantos processos e eu estava lutando com todas as minhas forças para não perder as crianças e adolescentes e já tinha me apegado a cada uma delas, tendo que provar que tinha condições de ficar com todos porque já éramos uma família. Mas Simone, como todos, só parou com os estudos porque fugi como está contado no livro. Virei fugitiva para não perder meus filhos. Depois, Simone voltou a estudar e apenas parou a faculdade de enfermagem porque ficou doente, com melanoma, que deu metástase, e não conseguiu concluir. Hoje, além de lutar para que a doença não volte, está com síndrome do pânico e crise de ansiedade pelos traumas que os tratamentos lhe causaram.”

Registrar o filho de outra pessoa como seu é crime previsto pelo Código Penal. A pena pode variar entre 2 e 6 anos.

Entenda o caso

Rayane foi acusada, em 5 de agosto, ainda na primeira fase das investigações, de estar envolvida no assassinato do pastor Anderson do Carmo. Lucas Cézar dos Santos, que está preso, afirmou que recebeu de Rayane o pedido para matar o marido da mãe.

Lucas alegou que o pedido foi feito via Instagram. Na mensagem, Rayane teria lhe oferecido R$ 10 mil para que ele contratasse alguém para cometer o crime. Metade do dinheiro ficaria para Lucas. Ainda de acordo com o filho de Flordelis, Rayane assegurou que já estava com o dinheiro e era só ele fazer o serviço para receber. A jovem afirmou também que, após o crime, era para ele pegar o celular do pastor, retirar o chip e quebrá-lo.

A neta da parlamentar teve o celular apreendido pela Polícia Civil na última terça-feira (17/09/2019), no apartamento funcional de Flordelis em Brasília.

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