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Por não saberem se estão sob a condição de investigados ou se ainda são considerados colaboradores, o empresário Joesley Batista, sócio majoritário da holding J&F, e Ricardo Saud, diretor da empresa, decidiram permanecer calados durante interrogatório, nesta quinta-feira (14/9), na Superintendência da Polícia Federal.

Presos desde domingo (10), eles receberam a instrução  da defesa, sob a coordenação do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. De acordo com o criminalista, a recomendação da defesa técnica partiu da notícia de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, teria pedido a rescisão do acordo de delação premiada dos executivos.

“Ambos não sabem qual é o status jurídico deles Não sabiam se iriam ser ouvidos como investigados, com o direito de se calar, de não se autoincriminar, ou se ainda como colaboradores, com a obrigação de dizer a verdade. Então, até que o Supremo decida qual é o status jurídico deles, por determinação da defesa técnica eles optaram por não falar”, esclareceu o advogado.

Conversas suspeitas
Joesley e Saud seriam ouvidos na tarde desta quinta no âmbito das apurações da conversa gravada entre a dupla, que colocou em xeque as delações premiadas da J&F. O diálogo da dupla, de 17 de março, cujo áudio foi anexado por equívoco pela defesa dos delatores da JBS em documentos enviados à Procuradoria-Geral da República, evidencia que o ex-procurador da República Marcelo Miller atuava para o grupo antes de se exonerar do cargo.

A gravação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot, que pediu a revogação do acordo de leniência firmada pelo Ministério Público Federal (MPF) e os dois executivos da JBS.

Na segunda-feira (11), o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, decidiu suspender a homologação do acordo de leniência do grupo J&F até que o STF dê a palavra final sobre a validade da delação dos executivos do grupo. Ele apontou que o acordo de delação “sustenta” o acordo de leniência da empresa.

Na sexta-feira anterior (8/9), o magistrado homologara a leniência com a ressalva de que eventual nulidade da delação poderia afetar o acordo da empresa. Mas, ao tomar conhecimento da prisão temporária de Joesley Batista e Ricardo Saud no fim de semana, Vallisney de Souza Oliveira reconsiderou a homologação, determinando a suspensão do ato.

 

 

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