Wajngarten irrita senadores ao ser questionado sobre falas de Bolsonaro: “Pergunte a ele”

Sem confirmar afirmações feitas à Veja, CPI vai pedir o áudio da entrevista com o ex-secretário à revista

atualizado 12/05/2021 12:44

Fabio Wajngarten na CPI da CovidJefferson Rudy/Agência Senado

O ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten irritou os senadores da CPI da Covid após sugerir que uma pergunta do relator Renan Calheiros (MDB-AL) sobre as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deveria ser direcionada ao chefe do Executivo.

Wajngarten tergiversou sobre o impacto das falas de Bolsonaro e Renan insistiu. “Acho que o senhor tem que perguntar para ele, senador”, declarou Wajngarten, incomodando os senadores.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), rebateu. “Você não pode dizer ‘pergunte a ele’. Você está aqui… está aqui como testemunha. Você vai responder ‘sim’ ou ‘não”. Wajngarten, então, pediu perdão.

“Você faz uma pergunta para uma pessoa que é testemunha, aí ele responde ‘pergunte a ele’. Você acha ainda que tem razão de fazer um negócio desse? Pelo amor de Deus!”, retrucou Aziz. Após o desentendimento, a sessão da CPI foi suspensa por cerca de 5 minutos.

Questionado sobre as declarações que deu à revista Veja, Wajngarten não confirmou algumas das informações. Com isso, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que vai atender o pedido do relator para requisitar à revista Veja o áudio da entrevista com o ex-secretário.

“Vamos requisitar sim, é importante a gente saber. Tudo que ele falou na Veja, negou aqui. Nega várias questões, tenho que crer que alguém está mentindo, ou é a revista Veja ou é o depoente. Vou pedir para requerer à revista Veja que possa nos dar o áudio da gravação sem cortes”, disse.

Pfizer

Antes, Wajngarten afirmou que uma carta de autoria da farmacêutica Pfizer, endereçada ao Palácio do Planalto, enviada em 12 de setembro e “até 9 de novembro ninguém havia respondido”.

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“Quando soube, em novembro do ano passado, que a Pfizer havia enviado carta ao governo brasileiro, procurei imediatamente solucionar eventual impasse. Vi por bem levar ao presidente Bolsonaro o assunto na busca por uma solução rápida”, disse.

O ex-secretário informou que se reuniu, em seu gabinete, no dia 17 de novembro, com um assistente, o CEO da Pfizer, Carlos Murilo, e a diretora da Comunicação da Pfizer. No encontro, Murilo agradeceu a resposta e teria dito, segundo Wajngarten: “Eu quero que o Brasil seja a vitrine da América Latina na vacinação da Pfizer”.

Depoimentos

Wajngarten é o quinto depoente do colegiado. Antes dele, os senadores ouviram o depoimento do presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, além dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, além do atual chefe da Saúde, Marcelo Queiroga.

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello só será ouvido em 19 de maio, após ter alegado que teve contato com duas pessoas infectadas pelo novo coronavírus e cumpre quarentena.

A CPI da Covid-19 tem o objetivo de investigar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia e, em especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas com a ausência de oxigênio, além de apurar possíveis irregularidades em repasses federais a estados e municípios.

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