Veto do STF, Bolsonaro e eleição alimentam racha entre Maia e Alcolumbre

Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal estão sem se falar desde 6 de dezembro, quando STF vetou a reeleição da dupla

atualizado 18/12/2020 15:17

Raimundo Sampaio/Esp. Metrópoles

Às vésperas de deixarem as presidências do Senado e da Câmara dos Deputados, respectivamente, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), não parecem falar a mesma língua. Na realidade, os chefes das Casas legislativas não se falam desde o dia 6 de dezembro, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) vetou a possibilidade de reeleição de ambos.

Correligionários dos dois confirmaram ao Metrópoles o rompimento, antecipado pela Folha de S. Paulo, e afirmaram que, embora a ruptura tenha se dado após o julgamento do STF, o abalo vem há cerca de quatro meses, quando Alcolumbre vislumbrava a possibilidade de ser reeleito.

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O presidente do Senado acreditava contar com ambiente favorável dentro do Supremo, mas a situação de Maia, que tentava a terceira reeleição, atrapalhou as pretensões.

Alcolumbre chegou a cobrar de Maia um posicionamento mais contundente sobre não ser candidato à reeleição da Câmara e, posteriormente, manifestou descontentamento pelo fato de o colega não ter feito o gesto. O senador credita a derrota no julgamento à estratégia do carioca.

Além do julgamento do Supremo, a relação de Alcolumbre com o governo Jair Bolsonaro tem sido motivo de desgastes. Eventualmente, havia queixas de um lado ou de outro por causa de atitudes em relação ao governo. Seja pela aproximação do senador ou pelas críticas do deputado federal.

Nesta sexta-feira (18/12), o presidente da Câmara, inclusive, demarcou novamente o território entre ele e o governo. Na tribuna da Casa, Maia afirmou que pretende continuar “sendo um leal adversário do presidente da República”, a quem chamou de “mentiroso” por ter colocado, na noite desta quinta, o não pagamento do 13º do Bolsa Família na conta dele.

Recesso parlamentar

Outros movimentos evidenciaram o desgaste, como a questão do recesso parlamentar. Enquanto o presidente da Câmara defende que deputados e senadores voltem em janeiro de 2021 para votar propostas econômicas e ligadas à saúde, o presidente do Senado disse esta semana que “provavelmente o Congresso terá recesso“. A decisão ficou para esta sexta-feira (18/12) e pode alimentar ainda mais o racha entre a dupla.

Na quinta-feira (17/12), havia sessões da Câmara e do Congresso Nacional marcadas para o mesmo horário, às 9h. Maia abriu a sessão da Câmara e derrubou a do Congresso, convocada por Alcolumbre na noite anterior. Na ocasião, Maia reclamou que não foi avisado por ninguém sobre a convocação.

Durante o impasse sobre as sessões, o líder do Centrão, Arthur Lira (PP-AL), candidato do Palácio do Planalto à presidência da Câmara, alfinetou Maia. “É importante que a gente dialogue para encontrar consenso. Todos nós fomos informados sobre essa sessão do Congresso. Se o senhor não foi, é uma questão de comunicação entre o senhor e o presidente do Congresso, que é do seu partido”, disse.

Parte da bancada do DEM na Câmara está incomodada com o fato de o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) não ser o candidato do bloco liderado por Maia, formado por DEM, PSL, MDB, PSDB, Cidadania e PV. Os nomes mais cotados são Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Baleia Rossi (MDB-SP).

Apoiado por Alcolumbre, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) segue costurando a candidatura à presidência do Senado. Ele e Maia se encontraram nesta semana.

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