Tendência do PSB é fechar questão contra a reforma da Previdência

A exemplo do que fez o PDT, os socialistas querem definir posição única a ser seguida pela bancada. Governador do Espírito Santo diverge

Michael Melo/Metrópoles

atualizado 23/03/2019 12:18

O PSB deve decidir, nos próximos dias, o posicionamento do partido em relação ao texto da reforma da Previdência proposto pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). A sigla começou nesta semana uma série de discussões e, de acordo com o dirigente da legenda, João Carlos Siqueira (foto em destaque), ao que tudo indica a ideia é fechar questão contra o texto do Planalto.

“Nós já fechamos uma posição contra a do Temer. Então, entendo que há uma tendência muito clara de optarmos pela rejeição deste texto, que é muito pior”, justificou Siqueira.

A discussão interna teve início nesta semana e deve durar mais alguns dias até a reunião da direção da legenda.

“Nesta semana, fizemos um debate importante, analisamos o texto e, pelo que ouvi dos deputados, a reforma é pior do que a do ex-presidente Michel Temer. Na próxima semana, vamos debater com deputados, governadores e senadores do partido, mas a tendência é que fechemos posição contra o texto”, disse o dirigente do PSB.

Na mesma linha, a bancada do partido na Câmara deve se contrapor a todas as etapas da tramitação do texto. O PSB, com seus quatro assentos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, votará em peso contra a admissibilidade da proposta. São titulares do colegiado pela sigla os deputados Júlio Delgado (MG), Danilo Cabral (PE), João Henrique Campos (PE) e Luiz Flávio Gomes (SP).

“Seremos quatro votos contra. E vejo muita gente que não é da oposição que também votará contra”, destacou Júlio Delgado. “É posição majoritária no partido a rejeição total ao texto”, observou.

“Divergência”
A postura explicitada pelos deputados e pelo presidente do partido é divergente da apresentada pelo governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, na reunião com governadores das regiões Sul e Sudeste. Casagrande disse ser favorável à proposta com a criação de um novo regime previdenciário baseado na capitalização e o aumento da idade mínima para a aposentadoria.

A única ressalva salientada pelo governador se refere à transição entre o regime de capitalização, proposto por Bolsonaro, e o de repartição, atualmente adotado, no qual quem contribui paga o benefício dos aposentados e o dinheiro é administrado pelo governo.

Bancada
De acordo com o deputado Bida do Pindaré (MA), todos, inclusive o governador, serão ouvidos antes da definição do posicionamento da sigla.

“A gente respeita a opinião de cada um dentro de suas circunstâncias, mas o debate está sendo feito aqui no Congresso Nacional, ouvindo a sociedade obviamente e a bancada está construindo essa posição”, destacou o maranhense. “A tendência é fechar questão contra o texto. É uma voz muito forte no conjunto da bancada os malefícios que este projeto traz para a sociedade brasileira”, acrescentou Pindaré.

Segundo o congressista, a maioria dos parlamentares socialistas deve se posicionar contra a totalidade do projeto. “Isso até por entender que nós poderíamos enfrentar os problemas das contas públicas atacando a dívida pública, a inadimplência no INSS, que é muito grande e não se faz nada, a taxação de grandes fortunas, a taxação de grandes heranças”, listou o deputado. “Há outras formas de equilibrar as contas no Brasil que não seja tirando direitos do trabalhador”, concluiu.

O PDT e o PT também fecharam posição contrária ao texto da reforma apresentado pelo governo Bolsonaro.

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