Sociedade de pediatria condena ataques à vacinação infantil: “Direito”

Entidade divulgou nota de repúdio criticando investidas contra a imunização. Bolsonaro, em entrevista à TV, voltou a questionar proteção

atualizado 07/01/2022 17:03

VacinaArthur Menescal/Especial Metrópoles

Condenando o posicionamento do governo federal sobre a vacinação infantil contra a Covid-19, doença causada pelo coronavírus, a  Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou nota de repúdio e voltou a afirmar: “O acesso das crianças à vacina contra a Covid-19 é um direito que deve ser assegurado”.

O documento não cita o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, nem o presidente Jair Bolsonaro (PL), mas questiona opiniões recorrentes de ambos.

“A população não deve temer a vacina, mas, sim, a doença que ela busca prevenir, bem como suas complicações, como a Covid longa e a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, manifestações que consolidam a necessidade da imunização do público infantil”, reforçou o texto.

A entidade defende que a vacinação desse público é estratégia importante para reduzir o número de mortes por conta da Covid-19 nessa faixa etária, no Brasil, cujos indicadores são mais expressivos do que em outras nações.

“Até o momento, os estudos realizados apontam a eficácia e a segurança da vacina aplicada na população pediátrica, a qual é fundamental no esforço para reduzir as formas graves da Covid-19”, salientou.

A nota conclui. “A vacina previne a morte, a dor, sofrimento, emergências e internação em todas as faixas etárias. Negar este benefício às crianças sem evidências científicas sólidas, bem como desestimular a adesão dos pais e dos responsáveis à imunização dos seus filhos, é um ato lamentável e irresponsável, que, infelizmente, pode custar vidas”, acrescentou.

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Bolsonaro volta a atacar

Após o Ministério da Saúde anunciar o cronograma de imunização infantil, Bolsonaro, em entrevista à TV Nova Nordeste, de Pernambuco, disse que não vai vacinar a filha de 11 anos e acusou os técnicos da Anvisa de terem algum interesse na liberação da vacina.

“A Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] lamentavelmente aprovou a vacina para crianças entre 5 e 11 anos. A minha opinião eu quero dar para você aqui. A minha filha de 11 anos não será vacinada”, disse Bolsonaro.

“E você vai vacinar seu filho contra algo que o jovem por si só uma vez pegando o vírus a possibilidade de ele morrer é quase zero? O que é que está por trás disso? Qual é o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual é o interesse daquelas pessoas ‘taradas por vacina’? é pela sua vida? É pela sua saúde? Se fosse estariam preocupados com outras doenças do Brasil, que não estão”, finalizou.

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