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Bolsonaro sobre vacinação de crianças: “Qual o interesse da Anvisa?”

Um dia após o Ministério da Saúde anunciar a imunização de crianças, o presidente voltou a questionar e desestimular a busca pela vacina

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Fábio Vieira/Metrópoles
Bolsonaro concedeu entrevista coletiva após receber alta do hospital
1 de 1 Bolsonaro concedeu entrevista coletiva após receber alta do hospital - Foto: Fábio Vieira/Metrópoles

Após o Ministério da Saúde anunciar as regras para vacinação de crianças, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a desestimular a imunização do público infantil nesta quinta-feira (6/1).

Bolsonaro ainda alfinetou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que autorizou em dezembro a aplicação de doses pediátricas da vacina Pfizer em crianças de 5 a 11 anos.

“Você pai e você mãe, vejam os possíveis efeitos colaterais. A própria Pfizer diz que outros possíveis efeitos colaterais podem acontecer a partir de 22, 23 ou 24 anos. E você vai vacinar teu filho contra algo que o jovem, por si só, uma vez pegando o vírus, a possibilidade dele morrer é quase zero?”, disse o titular do Palácio do Planalto, sem apresentar provas, em entrevista à Rádio Nova FM, de Pernambuco.

“O que está por trás disso? Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual o interesse daquelas pessoas taradas por vacina? É pela sua vida, pela sua saúde?”, continuou o chefe do Executivo federal.

Apesar de Bolsonaro dizer que “desconhece” casos de mortes por Covid-19 em crianças na referida faixa etária, o Brasil registrou 301 mortes de crianças entre 5 e 11 anos em decorrência do coronavírus, desde o início da pandemia até o dia 6 de dezembro. Isso corresponde a 14,3 mortes por mês, ou uma a cada dois dias, segundo dados da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19.

O mandatário voltou a declarar que não vacinará Laura Bolsonaro, sua filha caçula de 11 anos, e classificou a decisão da agência como “lamentável”. “A Anvisa lamentavelmente aprovou vacina para crianças entre 5 e 11 anos de idade. Minha opinião é que minha filha de 11 anos não será vacinada”, disse o presidente.

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Sem exigência de receita médica

A Saúde decidiu não determinar a obrigatoriedade de receita médica para vacinação de crianças contra a Covid-19. A intenção inicial do governo era exigir prescrição médica. Contudo, após a audiência pública realizada na terça-feira (4/1) com membros de entidades médicas, a pasta decidiu recuar.

Dos 18 participantes da audiência, apenas três se opuseram à imunização de crianças. Além disso, durante o encontro, a secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid, Rosana Leite de Melo, afirmou que a maioria dos participantes da consulta pública sobre o tema se opôs à exigência da receita.

Cronograma

O cronograma de entrega dos imunizantes foi divulgado pelo secretário-executivo da pasta, Rodrigo Cruz, em coletiva nesta quarta-feira (5/1). Cerca de 3,74 milhões de doses do imunizante da Pfizer para a faixa etária de 5 a 11 anos chegam ao país ainda neste mês.

Para o primeiro trimestre de 2022, a previsão é que o ministério receba 20 milhões de doses para crianças. A estimativa da pasta é que a primeira remessa da Pfizer chegue ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), em 13 de janeiro.

De acordo com a Anvisa, a vacina será administrada em duas doses, com intervalo de 21 dias entre cada aplicação. Além disso, a dosagem do imunizante será especial, de apenas 3 microgramas. Para adultos, o volume é de 10 microgramas.

“A partir da experiência com as doses para adultos, a previsão é que, em 24 horas, possamos distribuir [as vacinas] para estados e municípios”, explicou Rodrigo Cruz.

Está prevista para janeiro a chegada de três voos, um por semana, a partir de 13 de janeiro, com 1,248 milhão de doses cada. As datas definitivas, porém, não estão fechadas pela companhia farmacêutica. A empresa não descartou a possibilidade de pequenas variações.

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