Servidores protestam contra loteamento político da Funai

Documento assinado por 36 entidades será apresentado a deputados e senadores nesta terça (12/6), pedindo fim da “politicagem” na fundação

atualizado

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1 de 1 funai - Foto: Divulgação/Funai

Servidores públicos da Fundação Nacional do Índio (Funai) apresentarão nesta terça-feira (12/6), na Câmara dos Deputados, uma carta pública contra o suposto loteamento político da instituição e o sucessivo desmonte das ações indigenistas realizadas pelo órgão ligado ao Ministério da Justiça.

Ao todo, 36 organizações socioambientais assinam a carta pública, entre elas a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Indigenistas Associados (INA) e o Instituto Socioambiental (ISA).

No documento, as entidades repudiam “a ingerência de interesses alheios ao indigenismo na instituição”, ao mencionar a exoneração do diretor de Administração da Funai Francisco José Nunes Ferreira. Ele foi afastado do cargo no dia 23 de maio pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo ter revelado gravações nas quais o então diretor indicava favorecimento de empresas predeterminadas para compras do setor de informática da Funai, orientado por pedidos feitos por parlamentares.

“Vimos repudiar a ingerência de interesses alheios ao indigenismo na instituição e exigir a indicação, para assumir a diretoria em questão, de um (a) servidor(a) do próprio quadro técnico efetivo do órgão ou pessoa com expertise técnica compatível com as atribuições do cargo”, dizem as organizações.

A carta afirma que a Funai, responsável por promover e proteger os direitos de mais de 300 povos indígenas, cujos territórios abrangem aproximadamente 14% do território nacional, vem sofrendo com ingerências político-partidárias por meio de nomeações sem critérios técnicos nem comprometimento com as questões indígenas.

Os servidores também criticam o progressivo loteamento político do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), responsável pela fiscalização de unidades de conservação ambiental. Os próprios servidores do ICMBio estão mobilizados contra novas indicações a órgãos feitas pelo governo e exigem nomes técnicos para os cargos. Procurada, a Funai não se manifestou sobre a carta pública.

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