Senador que viajou com Bolsonaro testa positivo para coronavírus

Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Nelsinho Trad estava na comitiva brasileira que foi à Flórida

atualizado 16/03/2020 13:52

Senador Nelsinho TradWaldemir Barreto/Agência Senado

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) informou na noite desta sexta-feira (13/03) que testou positivo para o novo coronavírus. Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, foi um dos integrantes da comitiva do presidente Jair Bolsonaro na viagem aos Estados Unidos. Outro senador, Jorginho Melo (PL-SC), que também esteve no grupo, havia anunciado horas antes que o exame dele dera negativo.

Leia a nota do senador enviada ao Metrópoles e replicada em um tuíte no perfil dele:

“Estive, como todos sabem, a trabalho, representando o Senado Federal na viagem com o presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos. No retorno ao Brasil, fomos todos da comitiva que viajou com o presidente surpreendidos, quando um dos integrantes do voo de regresso foi positivado para o Covid-19. Segui fiel e estritamente os protocolos de quem se enquadra em comunicante de caso. Fiz o exame, que resultou positivo. Serenamente, com fé em Deus, e atendendo todas as orientações dos profissionais de saúde envolvidos nesse enfrentamento, estou em casa com a minha família, guardando o período de isolamento. Não há de se agravar. Com fé em Deus, sempre aprendi que problemas existem para serem solucionados.”

Depois de voltar de viagem, Trad esteve no Senado. Na quarta-feira (11/03), foi um dos participantes do encontro de emergência sobre a crise do coronavírus entre integrantes da cúpula do governo federal com o comando do Congresso, no qual os representantes de Jair Bolsonaro alinhavaram a liberação de mais dinheiro para o combate ao vírus.

Na reunião, estiveram os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), lideranças partidárias de diversas siglas e os ministros da Economia, Paulo Guedes; da Saúde, Luiz Henrique Mandetta; da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira; e da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos.

E agora?

Agora, os parlamentares terão que decidir se mantêm os trabalhos do Congresso. Desde a noite de terça-feira, está em avaliação a possibilidade de que o presidente do Congresso, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), decrete recesso parlamentar. Nesta sexta-feira, ganhou corpo a tese de que isso ocorreria caso algum parlamentar fosse diagnosticado com Covid-19.

Interlocutores ligados ao comando da Casa avaliaram ao Metrópoles que a possibilidade de paralisação das atividades divide as bancadas.

Estão sendo analisadas possíveis consequências das manifestações e panelaços programados para domingo (15/03). Analistas Legislativos e lideranças não querem que o Congresso esteja fechado caso haja protestos — sobretudo porque atos com medidas de segurança contra o coronavírus foram publicados na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Parlamentares acreditam que a decisão poderia ser mal vista pela população, inflamada pelas declarações de Bolsonaro e dos filhos do presidente, que fizeram cobranças públicas ao Parlamento.

Na quinta-feira (12/03), líderes se reuniram com o senador Antonio Anastasia (PSD-MG), que comandou o encontro no lugar do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), em Manaus acompanhando um evento da Honda. Apesar da distância, o senador manteve contato com o grupo por WhatsApp, por meio no qual mantêm a conversa nesta sexta (13/03).

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