Saída de Ribeiro do MEC é a 31ª troca ministerial do governo Bolsonaro

Exoneração do ministro da Educação foi a primeira de 2022. Em 2021, presidente realizou 14 trocas ministeriais – a maior do mandato

atualizado 28/03/2022 17:12

Milton Ribeiro, ministro da Educação, em foto com o presidente Jair Bolsonaro. Ele está de costas para o presidente, que olha para o lado, em cerimônia com no Palácio do Planalto sob fundo azul - MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

Desde que assumiu o comando do Palácio do Planalto, em 2019, o presidente Jair Bolsonaro (PL) realizou 31 trocas ministeriais. A mais recente ocorreu nesta segunda-feira (28/3), após Milton Ribeiro deixar o comando do Ministério da Educação. Ele é acusado de favorecer pastores na distribuição de verbas do ministério.

A demissão do pastor é a primeira de 2022. Nesta semana, o chefe do Executivo federal deve realizar novas trocas, uma vez que parte do primeiro escalão deixará o governo para se candidatar nas eleições de outubro.

O ano de 2021 foi o que teve mais trocas em todo o mandato de Bolsonaro: 14 no total. Das 31 trocas ministeriais, 3 foram realizadas em 2019 e outras 13 em 2020.

O elevado índice de mudanças em 2021 tem a ver com a alocação do Centrão no primeiro escalão de Bolsonaro (leia mais abaixo). Em busca de apoio no Congresso Nacional, o presidente cedeu três grandes pastas do Executivo para o bloco de parlamentares: Casa CivilSecretaria de Governo e Ministério da Cidadania.

Demissão no MEC

A demissão de Milton Ribeiro ocorre após vir à tona um suposto favorecimento de pastores na distribuição de verbas do ministério. Ele estava no comando do MEC desde julho de 2020.

Na semana passada, Bolsonaro chegou a defender Milton Ribeiro ao afirmar que colocaria sua “cara no fogo” pelo então ministro. O presidente também disse que as acusações contra ele eram uma “covardia”.

Há duas semanas, o jornal O Estado de S. Paulo revelou a existência de um “gabinete paralelo” no MEC tocado por dois pastores evangélicos sem cargo oficial na pasta.

O suposto gabinete paralelo do MEC seria formado por pastores sem cargo no governo. São eles: Gilmar Santos e Arilton Moura. Ambos são integrantes da Assembleia de Deus; Gilmar também preside a Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil Cristo Para Todos (Conimadb).

Segundo a reportagem, os pastores teriam cobrado vantagens ilícitas de prefeitos para facilitar a liberação de verbas no âmbito do FNDE, fundo ligado ao MEC.

A atuação incluiria pedidos de propina de um líder religioso a um prefeito para facilitar acesso a recursos da pasta. Para agilizar o direcionamento de fundo orçamentário proveniente do ministério, o pastor Arilton Moura teria solicitado R$ 15 mil e 1 quilo de ouro ao prefeito do município de Luís Domingues (MA), Gilberto Braga (PSDB).

Em um áudio atribuído ao ministro revelado pela Folha de S. Paulo, Ribeiro afirmou que a intermediação por meio dos pastores atendia a um pedido de Bolsonaro. O fato foi negado pelo ministro posteriormente, em nota.

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