Rompimento com Moro é maior golpe no apoio virtual de Bolsonaro

Presidente perde seguidores nas redes, num movimento inédito, e vê influenciadores digitais antes fiéis ficarem ao lado do ex-ministro Moro

atualizado 25/04/2020 9:46

A base de apoio virtual, que é a arena política na qual o bolsonarismo melhor navega, sofreu um duro golpe com a ruidosa saída do agora ex-ministro Sergio Moro do governo, nessa sexta-feira (24/04). Um levantamento nas redes sociais mostrou que o repúdio contra a demissão de Moro esteve presente em 70% das postagens no Twitter ao longo da sexta. Outra pesquisa apontou ainda que, pela primeira vez desde setembro de 2017, o clã Bolsonaro perdeu seguidores nas redes sociais.

O mais doloroso para o grupo político é ver rachaduras em seu núcleo duro. Influenciadores digitais, como a ex-atleta Ana Paula Henkel e o jornalista Milton Neves, não ficaram ao lado do presidente Jair Bolsonaro na disputa com Moro. Veja:

Quem contou e mediu o engajamento das postagens no Twitter ao longo da sexta-feira (24/04) foi a Sala de Democracia Digital da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo o levantamento feito enquanto Moro e Bolsonaro disputavam as manchetes, o repúdio de quase 70% dos internautas no Twitter superou o espaço obtido na defesa do então ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, que chegou a mobilizar 60% dos perfis.

consultoria digital Bites calculou que, em seis horas entre o pronunciamento de Moro e a fala de Bolsonaro, o presidente e seus três filhos com mandato (o vereador Carlos, o senador Flavio e o deputado federal Eduardo) perderam 86.427 seguidores em seus perfis no Twitter, Instagram, Facebook e YouTube.

Segundo a mesma consultoria, desde 1º de de setembro de 2017, o clã ampliou sua base em 30,8 milhões de fãs e “nesses 967 dias, não houve um único ciclo de 24 horas sem a adição de novos aliados nessas contas”.

Racha na direita bolsonarista
A militância digital bolsonarista dificilmente racha, mas a demissão de Mandetta e agora a saída de Moro estão causando uma inédita erosão nessa base. Ainda assim, a pesquisa da FGV mostrou que 74% dos bolsonaristas no Twitter fizeram críticas a Sergio Moro ao longo dessa sexta-feira (24/04), ficando ao lado de Bolsonaro.

Logo que Moro falou, os influenciadores ficaram meio que sem ação, mas com o passar do dia, principalmente após a resposta de Bolsonaro, passaram a atacar Moro.

Foi o caso do jornalista Allan dos Santos, editor do portal bolsonarista Terça Livre. Veja:

O assessor especial da Presidência Filipe Martins, um dos mais ilustres seguidores do guru Olavo de Carvalho no governo, foi pela mesma linha:

Outros influenciadores que sempre estão entre os mais fiéis escolheram umas espécie de caminho do meio. Foi o caso do investidor Leandro Ruschel, que decidiu lamentar o momento pelo qual passa o país.

O mesmo fez o ex-tucano Xico Graziano, que vive uma relação de idas e vindas com o Bolsonarismo na web:

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