Requerimentos da CPI da Covid foram produzidos no Planalto, diz jornal

Pedidos de senadores governistas para ouvir médicos que defendem tratamento precoce têm como autora uma funcionária da Secretaria de Governo

atualizado 29/04/2021 8:53

Edilson Rodrigues/Agência Senado

Registros eletrônicos de requerimentos apresentados na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid indicam que o Palácio do Planalto produziu para senadores governistas o pedido de convocação de cinco especialistas associados à defesa do chamado “tratamento precoce” ou a críticas ao lockdown.

Análise feita pelo jornal O Globo de documentos registrados na comissão mostra que em sete arquivos protocolados pelos parlamentares Ciro Nogueira (PP-PI) e Jorginho Mello (PL-SC) constam o nome de uma assessora da Secretaria Especial de Assuntos Parlamentares (SEAP), vinculada à Secretaria de Governo da Presidência da República. A pasta é responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso.

As informações estão presentes nos chamados “metadados” dos arquivos protocolados no Senado pelos parlamentares. Eles funcionam como uma espécie de RG de cada arquivo em um computador, e apresentam a data e o horário em que um arquivo foi criado, modificado, além do nome do autor.

Até a manhã desta quinta-feira (29/4), mais de 280 requerimentos de convocação de autoridades ou de pedidos de informação foram apresentados à CPI. O colegiado se reúne nesta quinta para definição do plano de trabalho.

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Segundo integrantes do governo, a ideia de ouvir médicos que defendem o tratamento precoce é demonstrar que o presidente Jair Bolsonaro fazia a defesa do uso de medicamentos sem eficácia comprovada com base em especialistas e pesquisadores sobre o tema.

Procurada, Thaís Amaral Moura, servidora da Secretaria de Governo, disse que desconhecia a informação sobre a autoria do requerimento.

Questionado sobre a produção do material protocolado na CPI da Covid, o senador Jorginho Mello informou que não vai se pronunciar. A Secretaria de Governo e o senador Ciro Nogueira não retornaram o contato.

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