Relatório do Congresso dos EUA vê risco à democracia sob Bolsonaro

Texto indica uma preocupação sobre "erosão da democracia, direitos humanos e proteção ambiental" promovidos pelo atual presidente

atualizado 09/07/2020 10:23

Isac Nóbrega/PR

Relatório produzido para o Congresso dos Estados Unidos aponta riscos à democracia, ao Estado de Direito, aos direitos humanos e ao meio ambiente sob a gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O documento, intitulado “Brasil: histórico e relações com os EUA”, foi publicado nesse domingo (6/7) pelo Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS, na sigla inglesa). O relatório é assinado por Peter J. Meyer, especialista em América Latina.

O texto aponta para uma “erosão da democracia” no país e para o risco da politização de militares, que têm assumido cargos importantes na atual gestão — 10 dos 23 ministros são das Forças Armadas. O autor destaca que essa situação jamais ocorreu desde a ditadura militar.

“O presidente continua celebrando a ditadura militar brasileira e seus filhos — que desempenham um papel influente em seu governo — questionaram a democracia e sugeriram medidas autoritárias. Bolsonaro também participou de comícios em que alguns de seus apoiadores pediram aos militares que fechassem o Congresso e o Supremo Tribunal Federal”, afirma.

Meyer analisa uma excessiva falta de governança pelo presidente Jair Bolsonaro, que tem atacado uma série de supostos inimigos, como a imprensa, organizações não governamentais e outros braços do governo.

“Essa abordagem de confronto alienou potenciais aliados no Congresso de tendência conservadora e prejudicou a capacidade do Brasil de enfrentar sérios desafios, como a pandemia de Covid-19 e o desmatamento na Amazônia brasileira. Ele também colocou um estresse adicional no país já sobrecarregado instituições democráticas”, prosseguiu.

Dessa maneira, o autor destaca que o Congresso norte-americano pode relutar em promover grandes iniciativas bilaterais de cooperação comercial ou de segurança a curto prazo, “dadas as preocupações sobre a erosão da democracia, direitos humanos e proteção ambiental sob Bolsonaro”.

O texto também aponta para uma dificuldade de crescimento do país por causa de desigualdades econômicas e instabilidade política, que teriam se agravado desde 2014, durante os últimos meses do governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e com os mandatos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro.

“Após um período de forte crescimento econômico e aumento de influência internacional durante a primeira década do século XXI, o Brasil tem lutado com uma série de crises domésticas nos últimos anos. Desde 2014, o país passou por uma profunda recessão, taxa recorde de homicídios e escândalo de corrupção em massa”, diz.

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