Rede tenta se tornar grande na contramão dos partidos tradicionais

Legenda de Marina investe no discurso contra a velha política e na identificação da candidata com parcelas da população, mas sofre debandada

atualizado

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Vagner Santos/Marina Silva Online
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1 de 1 marina-silva1 - Foto: Vagner Santos/Marina Silva Online

Estreante em eleições presidenciais, a Rede Solidariedade testa em 2018 uma estratégia traçada com a pretensão de romper os obstáculos criados pelos grandes partidos para manter controle sobre o processo político. Criada em 2013, a legenda da presidenciável Marina Silva tem a missão de provar que, com estrutura enxuta, é possível derrotar os grupos que dividem o poder no país.

O principal desafio da Rede para enfrentar os grandes adversários é financeiro. Com R$ 10,66 milhões destinados pelo Fundo Eleitoral, a legenda de Marina tem de enfrentar adversários contemplados com mais de 20 vezes esse valor. O PMDB dispõe de R$ 234,23 milhões; o PT de R$ 212,24 milhões; e o PSDB de R$ 185,86.

A desvantagem de Marina Silva também se mede pelo tempo de TV. Mesmo com a aliança entre Rede e PV, a presidenciável contará com apenas 21 segundos de exposição, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enquanto o tucano Geraldo Alckmin aparecerá durante 5min32s e o candidato do PT terá 2min32s.

Dentro dessa realidade, o partido de Marina procura espaço para vencer os concorrentes. “Há um sentimento na sociedade de questionamento da velha política. A Rede dialoga principalmente com essas pessoas, também com as que querem mudanças, uma reforma política verdadeira e o desenvolvimento sustentável”, diz Pedro Ivo Batista, porta-voz nacional do partido.

Trunfos
Depois das experiências eleitorais de 2010, quando estava no PV, e de 2014, ano em que concorreu pelo PSB, a presidenciável aposta na “garra” e na “criatividade” para vencer os partidos consolidados. “Nós vamos vencer porque apostamos no que é mais importante para ganhar eleição, que são as pessoas e, não, nas estruturas”, diz Pedro Ivo Batista.

Na opinião do dirigente, a presidenciável tem identidade com os mais pobres, os negros e com as pessoas que têm “consciência crítica” ou não concordam com o sistema político e estão “com pouca esperança” de mudança. São essas características, segundo Batista, que permitem a Marina aparecer em segundo lugar nas pesquisas eleitorais quando o petista Luiz Inácio Lula da Silva não aparece na cédula de votação.

O porta-voz da Rede também considera que os eleitores verão em Marina uma presidente da República que vai liderar “um novo ciclo” de prosperidade social, econômica e cultural. Nesse sentido, o partido se apresenta como uma alternativa de poder com mecanismos de “democracia participativa”, com visão mais “generosa”, “horizontal” e colaborativa. “Não queremos essa polarização, essa guerra que não leva o país a lugar nenhum”, diz Batista.

Nesse ponto, a candidata conta com o recall das duas últimas disputas presidenciais. No entanto, terá de confirmar se funciona, na prática, o discurso de um novo modo de fazer política.

Caminho próprio
Marina foi ministra do Meio Ambiente durante todo o primeiro governo do petista Luiz Inácio Lula da Silva e deixou a equipe no segundo mandato, em 2008, quando a gestão tinha perdido a batalha em torno do “desenvolvimento sustentável”, principal bandeira do grupo que a acompanha na política.

Depois de passar por PT, PV e PSB, a ex-ministra e seus aliados decidiram criar outro caminho institucional.  “A Rede não tem a estrutura pesada dos partidos nem o centralismo das siglas tracionais”, afirma Batista, porta-voz nacional da legenda.

A solução encontrada foi lançar um movimento que atendesse aos setores da sociedade críticos à crise do sistema político e fosse contra o sistema que “não consegue representar os cidadãos”. “A sustentabilidade é contrária ao modelo capitalista e, também, ao socialista”, acrescenta o porta-voz.

Com esse formato, a Rede se propõe a ser, em vez de um “partido”, uma parte, representar o “todo”. Para estabelecer diferenças, não tem diretórios, tem “elos”; no lugar de presidentes, conta com porta-vozes. Seus integrantes propagam, também, uma visão mais “colaboracionista”. A legenda de Marina se define como “parlamentarista” e tem mecanismos internos próprios para tomada de decisão, como plebiscitos.

Na construção da sigla, houve a preocupação de se estabelecer mecanismos que evitassem a dicotomia entre “partido de quadros”, mais vanguardista, e “de massa”, com grande base popular. “Os partidos de massa viraram manipulação dos militares, que se tornaram apenas claque dos dirigentes, e os de massa não têm vinculação com a vida real”, explica Batista.

A alternativa foi abrir dois tipos de filiação. Uma, a “orgânica, formada por pessoas que de fato querem participar do dia a dia da legenda. A outra, “cívica”, aceita cidadãos que tenham identificação com algumas causas. Ambas permitem candidaturas a cargos eletivos. Hoje, a Rede tem 23,9 mil filiados e diretórios (“elos”) em todas as unidades da federação, com exceção de Tocantins, onde existe uma comissão provisória.

Defecções
Apesar do modelo adotado ter mecanismos de arejamento das instâncias internas, nesses cinco anos de existência, a sigla sofreu algumas defecções – debandada de filiados – que expuseram as dificuldades para se construir o projeto do grupo de Marina. A maior baixa aconteceu em 2016, quando sete integrantes deixaram o partido, todos considerados da ala intelectual.

O membros que se deligaram foram o cientista político Luiz Eduardo Gonçalves, um dos principais nomes da Rede; Miriam Krenzinger; Marcos Rolim; Liszt Vieira; Tite Borges; Carla Rodrigues Duarte; e Sonia Bernardes.

Juntos, eles assinaram um manifesto com as razões da decisão. No texto, reclamaram de dependência da sigla em relação a Marina. Eles elogiaram a “honestidade” e a “integridade” da ex-ministra, mas criticaram as indefinições e “ambiguidades” da presidenciável em assuntos nacionais. Mas uma das causas do rompimento foi o apoio, naquele ano, ao impeachment da presidente petista Dilma Rousseff.

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